Motor que desafia as leis da física poderá revolucionar as viagens espaciais


leis da física
 
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Um novo motor de propulsão, conhecido como Em Drive, anda a baralhar investigadores um pouco por todo o mundo, e, mais recentemente, da NASA.

Segundo o seu inventor, Roger Shawyer, este dispositivo é capaz de converter energia elétrica diretamente em energia cinética, ou seja, movimento, sem a necessidade de emissão de qualquer tipo de combustível. Isto só por si parece ser de doidos, pelo que a comunidade científica respondeu com muito ceticismo a esta invenção.

Por incrível que pareça, o seu princípio de funcionamento não é muito diferente da forma como os micro-ondas funcionam. É inserida radiação numa cavidade ressonante onde os fotões vão colidir com as paredes de maneira assimétrica. De acordo com o seu inventor, a assimetria na forma da cavidade será responsável por uma assimetria na força exercida pelos fotões, o que fará o motor mover-se.

Apesar de o inventor afirmar que este motor não quebra qualquer lei da física, a sua explicação do fenómeno parece não satisfazer a comunidade científica. O problema está no princípio de conservação do momento linear. Devido a este princípio, para que um motor de propulsão convencional consiga ganhar velocidade numa direção tem de ejetar massa na direção oposta.

Ou seja, este motor funcionar sem combustível seria o equivalente a alguém puxar os seus próprios pés para voar.

O que é verdade é que independentemente de toda a controvérsia, alguns estudos independentes têm vindo a afirmar que este estranho motor realmente produz força. Tendo sido o mais recente destes estudos realizado pelos laboratórios Eagleworks no Johnson Space Center da NASA.

A ser verdade, este dispositivo poderia revolucionar a indústria aeroespacial uma vez que a força constante produzida por estes propulsores permitiria encurtar radicalmente o tempo de trânsito em viagens espaciais. Por exemplo, uma viagem a Marte poderia ser encurtada de 6 meses para apenas 28 dias.

O combustível necessário para manobrar satélites, sondas e demais dispositivos espaciais, ao longo da sua vida útil, pesa bastante nos custos envolvidos em enviá-los para o espaço, correspondendo muitas vezes a mais de metade do peso enviado para o espaço. Por este motivo o EmDrive poderia representar enormes poupanças em envios para o espaço e estender o tempo útil do equipamento enviado.

Outros entusiastas da tecnologia levam as previsões mais longe e creem que esta tecnologia poderá mesmo vir a revolucionar os meios de transporte aqui na terra.

O que é certo é que os próprios investigadores não compreendem ainda os fenómenos físicos que permitem que esta tecnologia funcione. Poderá dar-se o caso dos físicos teóricos terem de apanhar os desenvolvimentos experimentais, à semelhança do que já acontece com os supercondutores de altas temperaturas, pois a sua existência já foi verificada inúmeras vezes apesar de ainda não serem realmente compreendidos.

Quem sabe, pode ser que se venha a descobrir nova física através desta intrigante tecnologia.

Texto de: Pedro Almeida
Editado por: Pedro Alves da Silva

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