Há uma nova tinta que promete deixar os hospitais mais limpos


hospitais mais limpos

Um dos cenários mais preocupantes da prática hospitalar é, hoje em dia, responder às infecções por microrganismos hospitalares que, através de mecanismos adaptativos, vão ganhando resistências aos antibióticos mais comuns e causam sérias infecções nos doentes mais frágeis que se encontram internados.

Um relatório da Direcção Geral de Saúde, publicado em 2010, estimava uma prevalência de cerca de 10% de infecções de origem hospitalar em doentes internados nos hospitais portugueses. De entre os agentes mais comuns destacam-se a Pseudomonas, o MRSA (Staphilococcus aureus meticilina resistente) e a Escherichia coli, agentes resistentes a muitos antibióticos que, por um lado causam infecções graves, e, por outro, nos obrigam a recorrer a fármacos mais potentes mas bastante mais tóxicos.

Neste sentido, e desde há uns anos a esta parte, o combate à infecção hospitalar tem sido uma campanha importante. Medidas tão simples como a lavagem das mãos, a correcta higienização do material até ao uso judicioso dos antibióticos disponíveis, de modo a não causar selecção positiva sobre microrganismos agressivos desnecessariamente, têm diminuído algumas taxas de prevalência, apesar do problema estar bastante longe de ser resolvido.

E é na classe da prevenção que entra a tinta criada pela Sherwin-Williams, uma empresa de tintas e construção norte-americana, que consegue matar bactérias com as quais entre em contacto.

Apelidada de Paint Shield (ou tinta escudo), o produto mata microrganismos em apenas duas horas de contacto, mantendo também um ambiente asséptico que impede o crescimento de colónias. Segundo a empresa, 99,9% dos agentes patogénicos são erradicados, entre os quais se encontram os famigerados MRSA e E. coli, e o seu efeito mantem-se durante quatro anos.

O produto foi criado direccionado para a utilização prática, sem descurar as necessidades decorativas e as especificidades da construção hospitalar e ,desse modo, estará disponível em 590 cores e poderá ser aplicado sobre qualquer tipo de parede, tecto, porta, armários e objectos decorativos.

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Chris Connor, CEO da Sherwinn-Williams mostrou-se confiante no sucesso e na importância que a tinta poderá ter no futuro: “Paint Shield é um dos avanços tecnológicos mais significativos nos nossos quase 150 anos de história e inovação. Ao matar patogéneos infecciosos em superfícies pintadas, a Paint Shield é um avanço notável na área das tecnologias de revestimento.”

A tinta ainda irá ser sujeita a múltiplos testes pelas autoridades de saúde hospitalar, para garantir parâmetros de segurança e testar a eficácia em ambiente real, mas deverá estar no mercado já no próximo ano. Uma arma na luta contra os agentes infecciosos hospitalares, sem os efeitos nocivos que alguns antibióticos têm no nosso organismo.