Novo planeta rochoso descoberto “aqui ao lado”


planeta rochoso
 
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Por “aqui ao lado” leia-se a 39 anos-luz, que à escala de distâncias do universo é já ali. É de facto tão perto que esta descoberta representa bem mais que um novo ponto no mapa cosmológico.

O anúncio da descoberta do planeta GJ 1132b foi publicado na revista Nature por uma equipa internacional de investigadores, na qual também se incluem dois portugueses. Tudo indica que se trata de um planeta semelhante a Vénus, um pouco maior e mais pesado do que a Terra com 1,2 vezes o seu diâmetro e 1,6 vezes a sua massa. Para este planeta, cada órbita à volta da estrela, ou seja, cada ano, dura apenas 1,6 dias. Isto porque este planeta e a estrela deste sistema encontram-se muito próximos, com apenas 2,25 milhões de quilómetros entre si. Para comparação, mercúrio, o planeta mais próximo do Sol no sistema solar, orbita a nossa estrela a uma distância de 55 milhões de quilómetros.

Contudo esta proximidade é em parte compensada pelo facto da estrela GJ 1132 ser uma anã vermelha com apenas 21% do tamanho do Sol, pelo que a temperatura estimada do planeta se encontra entre os 135 °C e os 305 °C. Este facto faz do GJ 1132b o exoplaneta rochoso com a temperatura mais baixa encontrado até hoje.

A detecção deste planeta foi feita através da monitorização da intensidade luminosa de inúmeras estrelas. Quando um planeta passa entre a terra e a estrela que orbita, os telescópios detectam uma queda na luminosidade. Ao verificar-se que esta queda é periódica, e cruzando esta informação com os dados de outros telescópios, é então possível concluir que se trata de um planeta e quantificar as suas dimensões. Este método de detecção é conhecido como método dos trânsitos.

No entanto, é quando se aplica o método das velocidades radiais que se começam realmente a desbloquear os segredos deste sistema. É a força gravítica da estrela anã vermelha que mantém o planeta em órbita, mas o próprio planeta também puxa a estrela. Assim, é possível analisar as pequenas oscilações que o planeta provoca na estrela do sistema e assim estimar a sua massa, pois quanto maior a massa, maior será a força exercida. Conhecendo a massa do planeta é então possível calcular a sua densidade e daqui torna-se possível estimar a sua composição rochosa.

Dadas as propriedades do planeta e do sistema em que se insere, os investigadores crêem que este provavelmente será provido de atmosfera, o que aliado à proximidade à Terra irá permitir um estudo inédito das suas propriedades.

Este estudo terá implicações a longo prazo, tal como é referido no comunicado emitido pelo Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço: “Desta forma será possível saber a influência que as forças de maré e a intensa actividade estelar das anãs vermelhas têm sobre a evolução de atmosferas do tipo terrestre, algo que terá impacto a longo prazo na procura de vida em planetas que orbitam este tipo de estrelas.”

Texto de: Pedro Almeida
Editado por: Mário Rui André

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