Quentin Tarantino envolto em polémica por declarações contra brutalidade policial


brutalidade policial

Não é só pelo seu novo filme, The Hateful Eight, que Quentin Tarantino tem feito manchetes nos EUA. O realizador tem estado no centro de uma polémica após declarações proferidas no dia 24 de Outubro, em Nova Iorque, contra a violência e brutalidade policial.

Num protesto inserido no mês #RiseUpOctober, uma iniciativa organizada pela associação de movimentos activistas pró-direitos dos negros Black Lives Matter, o realizador norte-americano referiu-se aos polícias como “assassinos” após um tiroteio que resultou recentemente na morte de Tamir Rice, uma criança de 12 anos de raça negra.

Pouco tempo após estas declarações, o efeito “bola de neve” não se fez esperar. Por um lado, as palavras do realizador, conotado tantas vezes a um cinema “violento”, são vistas como uma forma de reaproximação da comunidade negra após o seu último filme Django Unchained ter recebido várias críticas pela sua abordagem à temática da escravatura. Uma das vozes mais sonantes na altura foi a de Spike Lee que veio a público dizer que não veria o filme, contestando a ligeireza que Tarantino tinha colocado num assunto tão grave quanto a escravatura.

Por outro lado temos obviamente a polícia, à qual se juntou inclusivamente o jornal New York Post que numa primeira capa pediu a Tarantino que “faça a coisa acertada e peça desculpas publicamente”.

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As palavras do realizador não podiam ter tido um pior timing junto dos elementos das autoridades. Uma semana antes do realizador ter feito estas declarações, um agente policial foi morto a tiro numa perseguição e, por isso, da parte da polícia a contestação também não se fez esperar.

Fosse por dirigentes de forças policiais ou por movimentos sindicais da polícia, além de um pedido de desculpas, os mesmos apelaram igualmente a um boicote ao seu mais recente filme, o western The Hateful Eight, algo que não foi bem recebido pelos produtores do realizador.

O pior, no entanto, ainda estava para vir. A estes protestos vindos de vários quadrantes da polícia e aos quais se juntou a National Association of Police Organizations, associou-se também o pai do próprio Quentin, Tony Tarantino. Citado pela revista Rolling Stone, refere que o filho deveria “olhar para os factos” antes de tirar conclusões.

Quentin Tarantino não está, ainda assim, sozinho na luta pela causa. A ele juntou-se recentemente o actor Jamie Foxx, protagonista de Django Unchained, e Harvey Weinstein, um dos produtores do último filme do realizador. O representante da The Weinstein Co, produtora do último filme do realizador, veio a público dizer que o mesmo tem direito à sua opinião, apesar destas palavras causarem desconfiança devido ao impacto económico negativo que esta polémica do realizador poderá ter no desempenho de The Hateful Eight, a estrear nos EUA já no próximo mês de Dezembro.

Apesar de tudo isto quem não parece ter ficado afectado foi o próprio Tarantino. Interrogado pelo canal de televisão MSNBC sobre os mais recentes desenvolvimentos acerca das suas declarações, diz que não passaram de formas de “intimidação” referindo ainda que as mesmas não o farão recuar nos seus protestos. O realizador vai ainda mais longe e afirma mesmo que se trata de um direito de liberdade de expressão, consagrado na Constituição Americana.

Quanto às repercussões que tudo isto terá sobre o próximo filme de Tarantino as opiniões estão, também elas, divididas sendo que dificilmente The Hateful Eight poderia ter tido maior publicidade.