‘Spectre’


Spectre filme
 
O Shifter precisa de dinheiro para sobreviver.
Se achas importante o que fazemos, contribui aqui.

A expectativa para um filme do agente secreto inglês é sempre a mesma: alta. Por detrás da máquina de marketing há sempre o trailer que já sabemos, mesmo antes deste sair, que vai conter explosões, muitos tiros, as bondgirls do costume e, obviamente, o vilão da história. No entanto, apesar de tudo isto, estes últimos filmes do 007 fizeram-nos contar também com outras coisas: uma excelente realização e um dos melhores James Bond de sempre, Daniel Craig, a par dos protagonizados por Sir Sean Connery.

Casino Royale e Skyfall foram o redespertar de uma franquia que já não conhecia tanta qualidade desde o já longínquo GoldenEye. Agora em Spectre, novamente realizado por Sam Mendes (que já tinha realizado Skyfall, premiado nos Óscares), a qualidade volta a ser elevada.

spectre_02

Com duas bondgirls à altura, a novata Léa Seydoux e a mais conhecida Monica Bellucci (pena o pouco tempo em cena), e uma história que nos entretém à boa maneira do agente secreto do MI6, quem diria que o ponto menos bom do filme acabaria por ser Christoph Waltz a interpretar o papel de Ernst Blofeld, personagem do passado e histórico inimigo de Bond.

Waltz não consegue nunca afastar-se de uma personagem que mais parece um seguimento da que interpretou em Inglorious Basterds, sem nunca conseguir minimamente parecer uma uma ameaça real a Bond. Mais que isso, Waltz e o final apressado que a sua personagem tem faz-nos desejar o reaparecimento em cena de Dave Bautista (esse mesmo, o wrestler). Bautista dá vida a Mr. Hinx, que, apesar de só ter uma fala (leram bem), é com quem Bond tem os duelos mais interessantes do filme.

spectre_03

Os fiéis companheiros de Bond marcam, também eles, presença: a bela Moneypenny (Naomie Harris), o Q (Robert Wishaw) e ainda M, agora interpretado por Ralph Fiennes – que, apesar de um belo actor, não consegue causar a mesma fricção com o agente secreto que Dame Judi Dench. Ver um homem habituado a conquistar as mulheres à sua volta ao serviço de uma delas, num verdadeiro confronto de géneros, sempre moldado por respeito e admiração, trazia um polo de interesse extra aos filmes.

Toda esta “equipa” de James Bond une-se numa luta final contra Blofeld e a sua Spectre, uma organização que tenta derrubar o MI6, ao mesmo tempo que conspira para tomar conta dos governos estrangeiros e dos seus sistemas de defesa.

spectre_04

Spectre não consegue ser tão bom quanto os dois últimos filmes de Bond, nem o seu vilão consegue ser tão ameaçador quanto foram Silva (Javier Bardem) e Le Chiffre (Mads Mikkelsen). Ainda assim, estes filmes protagonizados por Craig acabam por formar um todo agradável num reboot de uma saga que podia cair a pique aos olhos do grande público com uma má escolha de protagonista.

spectre_05

Daniel Craig, sob os olhares desconfiados pelo seu cabelo loiro e olhos azuis fora do “estilo Bond”, conquistou nestes últimos filmes um lugar ao Sol entre os melhores Bond da história. Fará ele o 25º filme da saga criada pelo escritor Ian Fleming? O actor em recentes entrevistas não colocou de lado essa hipótese e nós achamos que o papel estaria bem entregue.

Resta-nos esperar.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!