Bloco de Esquerda vai levar novamente a discussão a legalização da cannabis


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A principal agenda política do Bloco conta desde sempre com a proposta de legalização da cannabis. Em Setembro, durante a campanha eleitoral, os bloquistas distribuíram panfletos pelas ruas do Porto com sete filtros descartáveis onde se lia “proibido proibir”. A consagração do acordo parlamentar de esquerda pode ser a luz verde que o projecto precisa para ser aprovado e o Bloco vai aproveitar a oportunidade para o ver ser votado positivamente.

“É um compromisso que temos. Queremos que seja o ano da legalização e cremos que temos todas as condições para que seja”, afirmou o deputado bloquista Moisés Ferreira, citado pelo Diário de Notícias.

Para Catarina Martins a legalização é de maior interesse para a saúde pública e financeira do país. “As pessoas devem conhecer os riscos e fazer um consumo responsável, se decidirem fazê-lo”, acreditando ainda que esta é uma droga “semelhante ao tabaco ou ao álcool e portanto é melhor estar legalizada do que mandarmos as pessoas que as consomem alimentar redes criminosas”.

Como mandam as regras da coligação, a apresentação da proposta em sede parlamentar deverá ser antecedida por uma discussão com o PS, o PCP e Os Verdes. Esta discussão será de maior importância dada a relação destes partidos com a proposta de legalização. Na votação realizada em Maio de 2015 a proposta apresentada pelo Bloco foi rejeitada por PSD, CDS e PCP. Os Verdes abstiveram-se e o Partido Socialista, à excepção de dez deputados, também.

Para que esta nova iniciativa tenha sucesso, a discussão com o Partido Comunista será a de maior relevo e mais difícil de concretizar a seu favor dado que o Partido Socialista já mostrou alguma flexibilidade face ao projecto. Em 2013, a deputada comunista Paula Santos comentou que “não existe nenhuma prova científica que demonstre que a legalização do cultivo de cannabis conduziria à diminuição do tráfico” e que, contrariamente ao que é defendido pelo Bloco “potenciaria o crescimento de um mercado paralelo”.

Será desta que os portugueses vão passar a poder colocar as suas plantinhas à janela?

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