‘Bridge of Spies’


 
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O lado humano escondido num período histórico. É isto que Steven Spielberg nos tem proporcionado vezes sem conta ao longo dos anos nas suas obras.

Saving Private Ryan, Schindler’s List ou Lincoln são apenas alguns dos seus filmes que nos isolam num dado momento da história composto de acções humanas e não de apenas registos em papel, abrindo-nos portas para os seus bastidores. A história do herói desconhecido, James Donovan, é tudo isto em finais dos anos 50 e princípio dos anos 60, período de Guerra Fria que dividiu o Mundo em dois. Uma divisão nunca geográfica, mas sim de ideais.

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Spielberg volta agora a trabalhar com Tom Hanks, coisa que já não acontecia desde The Terminal em 2004. Poucos são os actores com a habilidade de Tom Hanks. O actor é capaz de nos mostrar uma humanidade enorme de forma natural. Em Bridge of Spies volta a fazê-lo de forma singular. Um “regular man” que se atreve e ousa aceitar representar, enquanto advogado, Rudolf Abel, um espião russo capturado pela CIA e magistralmente interpretado por Mark Rylance.

O advogado é desafiado a fazer uma defesa meramente de fachada de Rudolf Abel numa sentença que antes de haver julgamento já estaria atribuída. No meio disto, da política misturada com “justiça”, James Donovan (Tom Hanks) consegue sobrepor-se a ambas (como a “humanidade” das pessoas tanto teima em fazer nestes momentos). James desafia os convencionalismos e vai, em nome próprio, a uma Alemanha em plena fase de construção do muro de Berlim trocar Rudolf por Francis Powers, piloto americano capturado pelo exército russo e Richard Pryor, estudante americano injustamente preso na Alemanha.

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Um daqueles actos singulares, únicos, capazes de mudar um rumo na História e tantas vezes esquecidos pelos livros. Um acto capaz de demonstrar que dois polos de oposição, tão diametralmente opostos são na realidade duas faces da mesma moeda. Uma oposição EUA/URSS, CIA/KGB, uma moeda usada para tantas utilidades que descaracterizam o que é o ser humano, como é demonstrado no filme. Utilidades que retiram a humanidade ao humano. No final, a singularidade da bondade do acto do homem de família que não busca a glória mas sim resolver o que pode.

Escrito por Matt Charman com a colaboração posterior dos reconhecidos irmãos Coen, Bridge of Spies é um melodrama de grande valor que em nada é ofuscado por um qualquer blockbuster destinado a soprepôr-se em termos de audiências, mas nunca em qualidade.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!