E a SpaceX lá conseguiu aterrar um foguetão (mas em terra firme)


Finalmente, após várias tentativas e depois da aterragem bem sucedidada da Blue Origin, a SpaceX de Elon Musk consegue a aterrar o primeiro módulo do seu foguete, o Falcon 9. É um momento histórico, e possivelmente percursor de uma autêntica revolução no acesso ao Espaço.

O lançamento tinha como objectivo principal o lançamento de 11 satélites para a empresa ORBCOMM, e foi transmitido em directo através do site da SpaceX.

É um feito incrível. Uma analogia usada por um dos apresentadores ilustra bem a complexidade da tarefa: “Eu fiz as contas tendo em conta o tamanho do foguete e a altura que ele vai atingir, e o que acontece com o primeiro módulo é o equivalente a lançar um lápis por cima do Empire State Building, depois faze-lo voltar para trás e aterra-lo numa caixa de sapatos durante uma tempestade.”

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Algo semelhante foi conseguido recentemente pela empresa de Jeff Bezos, a Blue Origin. Contudo, a SpaceX fê-lo a uma escala completamente diferente, pois a velocidade necessária para que os satélites fiquem em órbita complica a aterragem enormemente. Apesar da rivalidade, Jeff Bezos não deixou de felicitar a SpaceX.+

Até hoje, sempre que se envia algo para o Espaço, é construído um foguete para o efeito que é destruído ou perdido durante o lançamento. Cada lançamento de um Falcon 9 custa 60 milhões de dólares, e o CEO Elon Musk já afirmou no passado que só o primeiro módulo custa cerca de três quartos dos custos totais. Significa isto que com equipamento reutilizável, os custos podem baixar muito significativamente, abrindo a porta a novos mercados como o turismo espacial.

Pouco tempo depois da aterragem (desta vez em solo firme e não numa “jangada” flutuante), Elon Musk e os seus engenheiros já se encontravam na plataforma a inspecionar o estado em que o Falcon 9 chegou.

Esta missão bem sucedida chega numa altura crítica para a empresa, após o último lançamento (uma missão de reabastecimento da Estação Espacial Internacional, realizada em Julho últtimo) ter terminado a meio do voo com a explosão do foguete. Num comunicado feito horas antes, é explicado em detalhe os obstáculos que a empresa tem de ultrapassar aquando do lançamento, e as melhorias feitas para evitar os problemas encontrados no passado.

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Destas, destaca-se um novo motor mais poderoso, com combustível constituído por oxigénio liquido a temperaturas muito mais baixas que habitualmente, com o propósito de aumentar a sua densidade (o fumo que se vê a sair do foguete deve-se à condensação do oxigénio), e em geral aumentaram-se as redundâncias e margens de segurança por todo o veículo.

Resta agora esperar para ver o impacto que este feito terá na industria aeroespacial.

Relativamente ao vídeo em baixo, o lançamento em si ocorre ao minuto 22:40 da emissão, e a aterragem do primeiro módulo ocorre cerca de 9 minutos mais tarde, por volta do minuto 32:20.