Este buraco negro engoliu uma estrela e “arrotou os restos”


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Desde sempre ouvimos dizer que os buracos negros atraem tudo à sua volta com tal intensidade que nem a luz lhes escapa. Mesmo na ficção científica, não são raros os casos em que um planeta ou nave espacial são ameaçados por este fenómeno da Natureza.

Mas a verdade é que nunca antes tinha sido visto um buraco negro engolir uma estrela, para depois “arrotar” sob forma de jactos de plasma a velocidades próximas da velocidade da luz, algo a que uma equipa internacional de investigadores teve a oportunidade de assistir.

“Estes eventos são raros”, afirma Van Velzen, que liderou a equipa de investigação. “É a primeira vez que assistimos a tudo desde a destruição da estrela seguida pela emissão cónica de fluxo, também conhecido como jacto, e pudemos assistir ao desenrolar dos acontecimentos ao longo de vários meses.”

Ou seja, esta não é a primeira vez que se regista a absorção de uma estrela por parte de um buraco negro, nem que se observa a emissão do plasma dai resultante (ou o “arroto cósmico”). A novidade advém do facto de ser a primeira vez que os dois acontecimentos são observados em conjunto.

“Os esforços anteriores para encontrar provas destes jactos, incluindo os meus, chegaram sempre tarde ao acontecimento”, adianta van Velzen. Confirmando-se assim as previsões dos cientistas de que haveria a emissão de jactos de plasma nestas circunstâncias.

A descoberta inicial foi feita por uma equipa de investigadores da Universidade de Ohio, a partir de um telescópio óptico localizado no Havai. A equipa partilhou a descoberta no twitter no início de Dezembro de 2014, o que desencadeou uma reacção internacional. Ciêntistas um pouco por todo o mundo viraram os seus instrumentos na direcção do acontecimento, e assistiram ao desaparecimento da estela, de dimensões próximas das do nosso sol, no interior de um buraco negro relativamente pequeno.

Foi possível concluir que a origem do plasma não viria do disco de acreção, um disco que tipicamente se forma em torno de um buraco negro à medida que este suga matéria. “A partir das nossas observações, percebemos que os detritos solares se conseguem organizar muito rapidamente para formar um jacto, o que é importante para a construção de uma teoria completa destes eventos” afirma ainda van Velzen.

Os resultados foram publicados na revista Science, e poderão constituir mais um valioso passo para o entendimento dos buracos negros.

Texto de: Pedro Almeida
Editado por: Mário Rui André

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