Líder do Bloco de Esquerda entre as 28 personalidades que estão a agitar a Europa


Líder do Bloco de Esquerda
 
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O site Politico listou 28 figuras, de 28 países, que estão a agitar a Europa. Catarina Martins, líder do Bloco de Esquerda, aparece representada na 27ª posição. “Numa Europa mergulhada num clima de convulsão política, Portugal parecia um paraíso para os dois partidos do sistema… Até aparecer Catarina Martins”, lê-se.

Nesta peça, a figura de Catarina Martins é também vincada para além dos assuntos políticos. O site descreve-a enquanto um ser diferente, e ressalva as particularidades que a distinguem dos demais. Afinal, se comparada com a frequência dos parlamentos da nossa Europa, os contrastes estão mais do que à vista. Não é fácil encontrar alguém como Catarina Martins. É das poucas mulheres que lidera um grande partido com assento parlamentar na cena política europeia. Veste-se de forma diferente, e no meio de economistas e juristas engravatados, distingue-se com uma licenciatura em Línguas e Literaturas e um passado enquanto actriz. 

Mas Catarina não recebe louvores por ser diferente na vestimenta. O Politico destaca-a por ser a maior responsável da ascensão do Bloco de Esquerda nas intenções de voto da política portuguesa. Os resultados das últimas eleições legislativas permitiram que o Bloco se imiscuísse numa coligação de esquerda que lhe confere, neste momento, um estatuto especial no parlamento. Apesar de o executivo ser formado apenas por independentes e fileiras do Partido Socialista, a palavra do Bloco é a diferença entre a aprovação e a reprovação dos movimentos do governo. Indirectamente, há extrema-esquerda no poder muito por culpa do trabalho de Catarina. E, em Portugal, isso não era realidade desde a década de 1970.

Durante as negociações pós-eleitorais com o PS e o PCP, o Bloco de Esquerda foi obrigado a deixar cair algumas das suas bandeiras mais radicais que consequentemente moderaram a postura do partido face a temas de maior importância como a presença de Portugal na NATO ou as obrigações orçamentais para com a zona euro. “Ainda assim, o sucesso de Martins provocou calafrios pela Europa”, escreve o Político. Na coligação de esquerda que se formou, o Bloco de Esquerda liga a ala mais moderada do PS e a mais extremista do PCP o que lhe reserva um papel de responsabilidade acrescida na manutenção da união de forças à esquerda.

A distanciação de Catarina Martins do resto da classe política não é apenas história que fica bem contar. A líder bloquista, ou porta-voz, como prefere ser chamada, assume-se enquanto uma raça diferente daquela a que a política está habituada a criar. Catarina Martins explicou ao Político que a classe política portuguesa é composta “maioritariamente por homens com o mesmo passado e a mesma forma de pensar” e salienta a necessidade de os “políticos precisarem de falar sobre coisas que as pessoas percebam, numa língua que consigam compreender”.

Do partido que coordena, o Político faz também questão de destacar Mariana Mortágua e Marisa Matias, enquanto “mulheres jovens” com papéis preponderantes no partido. Aliás, Catarina fez, e faz questão de continuar a “lutar por maior visibilidade para as mulheres em assuntos públicos”. Sobre o assunto, disse também que “as mulheres são realmente sensíveis ao facto de uma mulher liderar uma campanha” e considera que isso “cria uma proximidade que lhes permite discutir certos temas e colocar mais coisas na agenda política”.

Por fim, o site revela-nos alguns pormenores sobre Catarina Martins com três perguntas curiosas:

Um conselho para a Europa? Nós inventamos o estado social. Nós temos de o reinventar.
Qual a figura histórica que mais admira? Amílcar Cabral
Quais as três coisas que leva para todo o lado? Um livro, ténis e uma mochila.

Texto de: André Cabral
Editado por: Mário Rui André

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