O extraordinário mundo de Mike Bek


Em todos os concertos há uma parte que nos deixa a querer mais, que nos mete a viajar. Estejamos numa sala cheia com amigos ou numa arena por nossa conta. O que aconteceu no MusicBox, no dia 3 de Dezembro, entra nesse plano. Embora não existam palavras que expliquem a imensidade que é Mike Bek, Oversight teve uma apresentação notável.

O produtor mostrou o dom de transportar qualquer pessoa para onde ela precisa de ir, desde o começo astronómico – movido pelo minimalismo e intimismo electrónico que apresenta em Oversight – à agressividade pura do Garage inglês. 

As exímias passagens entre músicas, que mostram a enorme maturidade do produtor de 22 anos, fazem crer que o trabalho desenvolvido tem encontrado bom porto.

O concerto fez-se ainda das sonoridades entre a nova geração de blues rock – veja-se, por exemplo, “Carve Your Mark” com voz de Tio Rex – e o Hip-Hop, consequência das colaborações passadas e do trabalho em Gallantry. 

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Mike Bek não precisa de meter ninguém a dançar por obrigação, nem precisa de fazer a festa. Mete-nos no espaço que cria, em cada som que passa, numa linha condutora que não se perde. Em cada nota, tom ou compasso há uma história. Há uma parte de nós que se identifica e que agradece pela música ser exatamente o que precisamos. Mesmo que, por vezes, não se saiba. 

É isso que o torna único no meio de tantos. João Máximo não é só um DJ. É um músico com todas as letras, todas as conotações implícitas e responsabilidades que isso implica. E o melhor de tudo é que não lhe parecem ter peso. É o exemplo puro da leveza de fazer música. A leveza de a ser.  

Ao palco subiram ainda as colaborações do EP: Ghost Wavves abriu as hostes, Photonz manteve o ritmo e V i L fechou a noite em chave de ouro. O primeiro dia de aniversário do MusicBox não poderia ter começado de melhor forma e certamente que vai criar dificuldades em ser superado pelas próximas actuações.

Texto de: João Padinha
Editado por: Tiago Neto
Fotos de: André Dinis Carrilho