O LAIQ New York é um smartphone para quem nunca teve um smartphone


 
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Portugal deve orgulhar-se do elevado número de empresas que têm sido criadas aqui nos últimos anos. Mais do que dar provas de estarmos a testemunhar uma grande geração de jovens empreendedores, são também estas empresas que acabam por levar o bom nome do país além-fronteiras. Lançada no final de Setembro, a LAIQ quer ser uma dessas empresas na área dos smartphones.

Com “gigantes” como a Wiko, BQ, Samsung, LG, ZTE e até mesmo a Xiaomi a produzir smartphones para todo o tipo de carteiras, não vai ser fácil para a marca portuguesa vencer nesta área, especialmente quando a sua entrada no mercado é tão recente. Para já, o Dubai e o LAIQ New York são os dois equipamentos à venda e que marcam o primeiro passo da LAIQ, e o Shifter teve a oportunidade de testar o smartphone homónimo da cidade que nunca dorme. Eis as nossas conclusões.

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Por fora

Assim que pegas no LAIQ New York ficas com a sensação de que estás a lidar com um equipamento de gama baixa, e o plástico é o material de excelência quando se fala de produtos para esta gama. O New York é totalmente coberto por um plástico (e um aro que parece ser de metal) que, para além de ser bastante escorregadio, é frágil, funcionando também como um íman perfeito para dedadas especialmente na parte traseira. Por falar nisso, a capa de trás é removível mas isso apenas serve para inserir o cartão microSD e os dois cartões micro-SIM, já que a bateria não pode ser removida.

A LAIQ optou por colocar o botão de energia e o botão de volume em lados opostos, mas isso não afeta a sua usabilidade, tanto para os destros como para os esquerdinos. Ficámos contentes por ver que um equipamento deste tamanho não tem qualquer botão (apenas a entrada para o jack) na parte superior, mas extremamente irritados ao ver que a LAIQ, tal como muitas outras marcas, deu um tiro nos pés com a posição da coluna.

O som não é de grande qualidade, infelizmente, mas esse “detalhe” poderia ser até ocultado caso a coluna estivesse posicionada diretamente para o utilizador, ou até do lado, e não na parte de trás. Ver um vídeo com o smartphone deitado numa mesa é algo para esquecer a menos que estejamos a falar de cinema mudo.

Desempenho

Quando dás 150 euros por um telemóvel, tens de estar ciente de que não vais ter o máximo do que qualquer software te pode oferecer. Não queiras com isto entender que o LAIQ New York vai ter um desempenho fraco a partir do momento em que a primeira aplicação é iniciada. Muito pelo contrário. Durante o tempo dos nossos testes, onde foram utilizadas apps de redes sociais, o Chrome e até alguns jogos, o processador quad-core de 1,3 GHz e o 1 GB de RAM demonstraram estar à altura do que foi pedido, ainda que tenhamos tido por vezes o cuidado de “limpar” as aplicações depois da sua utilização.

Contudo, convém não confundir fluidez com rapidez de desempenho. Uma vez iniciadas, apps como o Snapchat ou o Facebook correram sem problemas, mas o tempo aguardado para que estas apps iniciem é o que difere este de outros equipamentos mais capazes. Claro que isto não acontece de forma tão descarada se deixares as apps a correr em segundo plano mas, assim que optámos por essa forma de utilização, depressa notámos algumas travagens a utilizar o Google Chrome ou a fazer scroll down no Instagram.

E o ecrã? As cinco polegadas HD IPS têm uma resolução de 1280×720 píxeis. No exterior a experiência foi satisfatória, melhor até do que o esperado, e é possível ver o ecrã sem ter de andar desesperadamente à procura de uma sombra, mas não é de todo recomendado para os amantes de píxeis e de imagens super brilhantes. No que toca ao desempenho de bateria, os 2250 mAh não vão durar um dia completo a menos que desligues os dados móveis e as restantes ligações sem fios a partir do momento em que deixares de utilizar.

Em suma, o LAIQ New York não te vai dar aquela segurança de que podes fazer o que quiseres, quando quiseres, sem teres problemas no caminho. Se queres abrir um jogo, tens de pensar “será que tenho muitas apps a correr em segundo plano?”. Se queres atualizar dez apps da Play Store ao mesmo tempo, tens de pensar “será que vou precisar do smartphone nos próximos dez minutos?”. Faz uma boa gestão e não vais ter problemas, mas se quiseres fazer muitas coisas ao mesmo tempo então prepara-te para começar a ver as primeiras falhas.

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Qual é então o grande problema de software do LAIQ New York?

Que argumentos podem ser utilizados para recomendar um smartphone que é lançado em 2015 e tem o… Android 4.4 Kit Kat? A implementação do Android 5.1, no mínimo (o Android 6.0 já saiu, mas vamos por passos) não só melhoraria substancialmente o desempenho do telemóvel como também melhoraria a imagem da LAIQ no mercado.

Fazer futurismo é algo que geralmente resulta mal, mas este tipo de equipamentos peca por ficar preso à mesma versão do sistema operativo desde o momento que saem da caixa até ao momento que ligam pela última vez, salvo eventuais ROMs ilegais que surgem na internet. Apesar da funcionalidade “OTA Software Update”, que a empresa publicita no site, é bem possível que o mesmo vá acontecer a este equipamento.

Apesar de tudo, gostámos de ver que a LAIQ não sobrecarregou o New York com apps indesejadas, mantendo o sistema operativo na sua forma mais original possível. Os poucos acrescentos que fez, como um acesso facilitado às notificações a partir do ecrã de bloqueio ou a personalização do LED de notificações, são bem-vindos.

Para referência: o Android 4.4 Kit Kat foi lançado em Outubro de 2013.

Câmara fotográfica

Aconteceu com o Moto G, aconteceu com o primeiro OnePlus e aconteceu com o LAIQ New York. Quando se fala em produzir um telemóvel que não vá contra orçamentos baixos, a câmara é, em 99% dos caso, o primeiro elemento a levar um corte sério na qualidade. No papel, este produto vem equipado com 13 megapixels na câmara traseira e 5 megapixels na câmara frontal, mas na prática os resultados não vão nada ao encontro destes números satisfatórios.

As fotos ficam extremamente granuladas, tremidas e muitas vezes com uma exposição superior ao desejado (e ao real) quando as condições de luminosidade não são as ideiais. Fotos em ambientes noturnos é para esquecer (deixamos alguns exemplos em cima). Em vídeo, o desempenho era o esperado: não surpreende, mas cumpre aquilo que o preço promete. Se és daquelas pessoas que não dispensa a bela da selfie para o Snapchat, então podes começar a procurar em outro lado.

Para quem é o LAIQ New York afinal?

  • É para ti, se resumires a tua utilização do smartphone às redes sociais e não a outras tarefas mais exigentes, como o último jogo a chegar ao Google Play ou a ver vídeos em alta qualidade.
  • É para ti, se, para teres uma boa experiência de utilização, não te importas de trocar de smartphone todos os anos, optando por investir pouco em vários produtos do que investir muito num smartphone que te dure bastante tempo.
  • Não é para ti, se gostas de tirar fotografias a toda a hora e de assistir a vídeos constantemente no smartphone
  • Não é para ti, se gostas de receber as últimas novidades do Android e de testar novas apps mal estas cheguem à Play Store – é que convém não esquecer que muitas apps não ficam restringidas a alguns equipamentos apenas pelo seu hardware, mas também pelo software. (*sigh* a eterna fragmentação…)

Fotos: João Porfírio/Shifter

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!