Em Paris, 600 mupis foram inteligentemente manipulados em defesa do planeta


Um dos mais fiéis companheiros das cimeiras internacionais é o protesto. Para onde quer que os líderes políticos viajem, os artistas e outros corajosos que se arriscam para além daquilo que é permitido, vão atrás para se fazerem ouvir. Com mensagens semelhantes mas sempre com maneiras diferentes de as plantar, são movidos pela necessidade urgente de consciencialização e disseminação de uma palavra que por vezes se ofusca pelo mediatismo do evento.

Desta vez o protesto foi em Paris. A cidade que acolhe até dia 11 de Dezembro a Conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas viu mais de 600 mupis manipulados pelo colectivo de artistas Brandalism que trocaram e satirizaram anúncios de marcas como a Total, a Volkswagen ou a Mobil.

“Nós estamos a apropriar-nos dos espaços deles porque queremos desafiar o papel que a publicidade tem na promoção do consumismo insustentável”, disse um dos artistas à AdWeek.

Outro dos objectivos da iniciativa foi expor verdades inconvenientes e realidades inimigas do ambiente que as empresas tentam ofuscar.

“Ao patrocinarem as conferências climáticas, os maiores poluentes como a Air France ou a Engie podem promover-se como parte da solução quando na verdade fazem parte do problema”, declarou Joe Elan, um dos artistas do Brandalism.

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Brandalism é uma articulação das palavras “brand” e “vandalism“. O colectivo iniciou-se em 2012 no Reino Unido e assume-se enquanto antagonista do “controlo corporativo do universo visual”. A sua actividade assenta sobretudo na premissa de que a rua é um espaço de comunicação que deve pertencer aos cidadãos e às comunidades. Em 2014 transformaram mais de 300 espaços de publicidade de rua com peças de arte de mais de 40 artistas internacionais.

Podes ver todos os seus trabalhos aqui.

Texto de: André Cabral
Editado por: Mário Rui André