Enquanto Lisboa está focada em start-ups, o Porto pensa em scale-ups

Conferência europeia dedicada à temática das scale-ups prevista para Maio.

Chama-se ScaleUp Porto e é uma nova iniciativa da cidade Invicta. O objectivo é apostar num paradigma mais competitivo para a economia regional e apoiar as startups tecnológicas locais com potencial para escalar internacionalmente.

Existem múltiplos programas de criação de start-ups, muitos deles bem sucedidos. E exemplo disso é a Startup Lisboa, a incubadora apoiada pela Câmara Municipal de Lisboa, segundo a sua estratégia de startup city. Mas Rui Moreira, o rosto do Município do Porto, tem uma visão diferente do empreendedorismo, ou, melhor, um outra forma de posicionar a cidade nesta matéria. O autarca defende que as start-ups nascem naturalmente e parte delas morre; o poder político deve apoiar o crescimento, não as empresas em si.

Nesse sentido, apresentou esta quinta-feira, no Palácio dos Correios, o ScaleUp Porto, uma nova estratégia para a cidade e região do Porto, em parceria com a Universidade do Porto, o Instituto Politécnico do Porto, o UPTEC (Parque de Ciência e Tecnologia da U.Porto) e a Agência Nacional de Inovação. Rui Moreira defende que o ScaleUp Porto pretende criar condições para que as pequenas empresas “ganhem outra dimensão” e, com medidas estratégicas do município, possam “sair do ninho e voar”.

Apoiando o desenvolvimento empresarial da cidade e da região, o UPTEC, um dos parceiros no projecto, acolhe 164 projetos empresariais e já graduou 32 empresas que, no seu total, já criaram cerca de 1 800 postos de trabalho qualificados. O impacto económico das empresas do UPTEC no PIB, previsto para 2014, é de 70 milhões de euros, valor que frisa a importância da fixação de empresas sustentáveis no tecido económico portuense.

Veniam, Kinematix, Uniplaces, Adclick, Blip.pt, Nonius Software, MOG Technologies, Gema e MOVVO são algumas das empresas que nasceram nos últimos anos no Porto e que, pelo seu rápido desenvolvimento, comprovaram a capacidade da cidade em competir internacionalmente no sector da inovação tecnológica.

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As cidades têm um papel fundamental no desenvolvimento regional, como catalisadores de ecossistemas empreendedores sustentáveis. Assistiu-se nos últimos anos a uma mudança significativa no paradigma do empreendedorismo e inovação com um crescimento acentuado de programas de apoio à criação de empresas. Após atingirem alguma maturidade, estas empresas têm necessidade de replicar e escalar o seu modelo de negócio, de forma sustentável. Mas para a atingir a escala, é necessária toda uma estrutura de apoio. É neste contexto que surge o ScaleUp Porto.

Com os principais desafios enfrentados pelas empresas em mente, através desta iniciativa, a cidade dá especial importância a medidas que fortaleçam o ecossistema de inovação, a criação de redes nacionais e internacionais, a criação de sinergias e a redução da fragmentação. A fase de crescimento reveste-se de especial importância neste contexto.

Estando incluído numa estratégia mais ampla no Município do Porto, o ScaleUp Porto foca-se em empresas de elevado crescimento e elevado potencial, promovendo o seu acesso a financiamento, talento, clientes e conhecimento. É a ênfase dada à necessidade de “escalar” que diferencia esta iniciativa, criando-se um programa que conta com o contributo de facilitadores e influenciadores, de entidades públicas e privadas, que partilham esta visão.

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Como instrumentos prioritários do ScaleUp Porto, a Câmara Municipal está a promover a atracção de empresas start-up para o centro da cidade, que se perspectiva venham a ocupar já em 2016 cerca de 4 000 metros quadrados de área, representando mais de 300 postos de trabalho qualificado. No âmbito da estratégia ScaleUp Porto será disponibilizado o mapeamento do ecossistema de empreendedorismo, instrumento fundamental para aumentar a dinâmica entre todos os parceiros.

Num eixo complementar, mas fundamental, será realizada na cidade do Porto em Maio de 2016 a primeira conferência europeia dedicada ao tema de ScaleUp. Esta conferência surge também como um ponto de partida para a criação de uma rede europeia para ScaleUp, que incluirá um conjunto alargado de parceiros, tendo sempre como base o papel fundamental que as cidades possuem nesta mudança de paradigma.

Texto de: Porto.pt e Shifter
Fotos de: Miguel Nogueira/Porto.pt