#SHIFTER2015: os melhores álbuns portugueses


 
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2015 não foi um ano fácil. Começou e acabou da pior maneira possível, com os ataques em Paris, e pelo meio as crises sociais e políticas fizeram mexer — por vezes da forma errada — a comunicação social e a opinião pública. No entanto, na arte, e principalmente na música portuguesa, as coisas tiveram outro caminho.

Foram muitas as bandas que nos presentearam com discos de qualidade e que, certamente, terão algo a dizer durante muitos anos na história da música em Portugal. Porque o que é bom merece (mesmo) ser celebrado, aqui ficam 10 bons álbuns que acompanharam a redacção do Shifter ao longo de um ano particularmente difícil.

 

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Tape Junk – Tape Junk

Com influências que não estamos habituados a ouvir nas bandas que temos por cá — que vão desde o country aos momentos mais noisy dos Pavement — TAPE JUNK, grupo liderado por João Correia, sabe muito bem o que quer. O disco homónimo, lançado em Abril, é a prova disso. Guardem-no bem e não se esqueçam de o levar quando atravessarem o Atlântico para a viagem das vossas vidas pelos 50 estados — é a banda sonora ideal.

 

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Auto Rádio – Benjamin

Walter Benjamim, alter-ego sob o qual Luís Nunes mostrou ao mundo as suas primeiras canções, “morreu” em 2014 para dar lugar a Benjamim e permitir que o músico se dedicasse na totalidade a este novo projecto. O primeiro trabalho em português aconteceu porque, segundo o próprio, “queria falar sobre coisas muito portuguesas, que só faziam sentido ser cantadas na sua língua materna”. Auto Rádio é um dos discos do ano e um clássico instantâneo que, temos a certeza, será ouvido e relembrado durante muitos anos.

 

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Dreams To Be Awake – Savanna

Dreams To Be Awake é um apanhado geral dos sonhos psicadélicos dos Savanna. No seu primeiro disco, a banda soube pegar em riffs e acordes – que nos trazem à memória o melhor dos anos 60 e 70 – e dar-lhes uma nova vida, muito devido à vontade de experimentar, “estragar” e manipular sons do vocalista, guitarrista e produtor Miguel Vilhena.

 

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Highway Moon – Best Youth

Um disco que merece ter a palavra beleza a descrevê-lo. Os esforços dos Best Youth neste primeiro álbum – depois de um EP repleto de bom gosto – são todos recompensados quando ouvimos Highway Moon. O cuidado sónico, a atmosfera sonhadora que conseguem trazer para as suas canções e a forma como é indie e pop, sem nunca colocar o seu conteúdo em causa, são motivos mais que suficientes para não deixarmos de o ouvir.

 

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Atlas – Branko

Depois de ter ajudado a fundar os Buraka Som Sistema e a editora Enchufada, Branko estreia-se nos álbuns a solo com Atlas e com aquilo que sabe fazer de melhor. Com influências sonoras de todo o mundo, o disco foi gravado em cinco cidades diferentes e reúnem mais de 20 colaborações. Do rap aos vários braços do afro, Branko funde a sua visão moderna sobre o movimento kuduro angolano num álbum onde a globalização é bem mais do que o conceito teórico, é real. Destaque para “Eventually”, “Take Off”, “Paris Marselha” e “Let Me Go” (que já passa em algumas rádios portuguesas) num disco que confirma o lugar de Branko como um dos mais respeitados nomes no panorama da música electrónica mundial.

 

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Elsewhere – Moullinex

Em Elsewhere – o seu melhor disco até agora – Moullinex prova que está tão à vontade nas ondas coloridas do psych (Elsewhere roça o Currents dos famosos garotos australianos) como nas oscilações sintetizadas do pop banhado a subgraves — melhor retratadas em “Things We Do” e “Don’t You Feel”. Mais do que produtor, o homem da Discotexas prova-nos ser músico com M agigantado.

Com o baixo a servir de fio condutor, Clara Gomes “linka“, canção a canção, os sons que queremos ouvir em 2015. Elsewhere é actual; é o tinder das canções. Um disco que nos oferece o que queremos ouvir aqui e agora, com direito a devaneios musicais agradáveis até ao ouvido mais céptico.

 

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Spider Tracks – Cave Story

Diretos e sem maneiras, Formiga, Zina e Mendes formam uma tríade à la Cribs, com tudo o que de bom essa ligação possa trazer. As guitarras cacofónicas e baterias em catadupa a puxar pancada fazem de Spider Tracks um disco imediato, pronto a rodar tanto nos clubes mais escuros como na ronda de jogging matinal pelo parque da cidade.

“Southern Hype” e “Fantasy Football” são os pontos altos da odisseia pelo noise das Caldas e elevam os seus feitores, de garotos a homens feitos do rock, aconteça ele no Lux ou em qualquer festival do nosso quadrado ibérico. Um disco bom. Verdadeiramente bom.

 

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Heat – The Glockenwise

Que todo o rock fosse assim. Irrequieto, enérgico, melódico. A braços com um terceiro disco, os Glockenwise refinam a sua fórmula e encontram um som que, acima de tudo, lhes cai muito bem. O disco ouve-se de rompante e as músicas têm todas estas característica – passam a correr. É indie, mas também é garage e também é único. E por isso é que nós gostámos tanto. Quem não ouviu a “Heat” uma tonelada de vezes este ano… Ainda está a tempo de ir ouvir.

 

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T&C/AVNP&NMTC – Nerve

Depois de mais de sete anos a ser preparado, T&C/AVNP&NMTC, é sem dúvida um dos discos do ano. Se podemos à primeira vista chamar Nerve de rapper e à sua música de rap, caímos no erro de o limitar. Dotado de uma narrativa capaz de nos transportar para diferentes universos ao longo do álbum, este está repleto de sensações complexas e catarse. Resultado de um longo período de criação e maturação, tornou-se numa espécie de caixa de pandora onde pequenos grandes monstros se tornam audíveis, seja num registo mais directo e agressivo ou, no oposto, descomprometido e alegórico.

 

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Híbrido – Halloween

Quando a sua voz apareceu no rap, toda a gente teve a certeza de que nunca tinha ouvido nada assim. Mais impressionante que isso é que nem assim alguém pensou que poderia produzir um álbum como este. Halloween surpreendeu-nos a todos com um disco forte, com mensagem e temas carregados ao longo das músicas, sem nunca esquecer a sua origem, o seu flow, os temas que sempre tratou. O hip-hop português sempre precisou de um vilão assim.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!