‘Star Wars: The Force Awakens’


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Para dar seguimento à review sem informação crucial que redigimos, quisemos escrever outra crítica, desta vez para o público que já viu o filme, na qual podemos agora analisar alguns momentos-chave do filme um pouco mais a fundo. Aconselhamos a que leias a outra review, mesmo que prossigas com esta, pois alguns aspectos técnicos e de prestações individuais encontram-se lá.

Dependendo da quantidade de teorias trazidas por fãs ou supostos leaks do próprio local de gravações do filme que uma pessoa tenha visto antes de assistir à grande produção, algumas destas revelações ou momentos podem não ter sido tão chocantes quanto outras. De referir é o facto de que todas elas encaixam na perfeição, e a nova geração da Star Wars brilha pela forma como faz a ponte entre o que se passou nos 6 episódios anteriores e os dias de hoje.

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Se calhar um pouco cedo de mais no filme, aparece-nos a maior revelação de todas: quem é Kylo Ren. Sim, esta personagem tem uma ligação com personagens da trilogia original. Se achámos estranho no início do filme não ver Leia Organa ao lado de Han Solo, esta revelação explica-nos o porquê: Solo e Leia tiveram um filho que se rendeu ao lado negro da força, fazendo com que a relação dos dois históricos da saga se degradasse. Esse filho é Kylo Ren, ou Ben (homenagem a Obi-Wan “Ben” Kenobi?) como os pais o chamam. O explorar desta história desenrolou-se de maneira natural, mas o verdadeiro aprofundamento da mesma estará guardado para o episódio VIII da saga. A decisão de tornar o vilão filho dos nossos heróis deu ao filme uma identidade familiar que nos lembra o momento do episódio V em que Darth Vader confessa ser pai de Luke Skywalker (aqui os papéis estão invertidos). Explicado fica o porquê de Ren admirar Vader, pois é seu neto. A decisão de não tornar o vilão um mero desconhecido traz logo um impacto gigante ao filme e aos seus seguidores que acompanham a saga desde 1977.

A história de Kylo Ren é explorada desde a sua infância, e aparece intimamente ligada à de Luke Skywalker. Nos créditos iniciais do filme (na típica letra amarela a desaparecer na distância) é revelado que Luke se encontra em exilo autoproposto depois de ter tentado formar uma nova academia de treinos de Jedi, e esta não ter funcionado. Se isto é diretamente culpa de Kylo Ren, também ficará para o futuro. Kylo Ren, ou Ben Solo, foi um dos jovens que Luke tentou treinar e ensinar os caminhos da Força. Não revelado neste filme, mas sim numa entrevista de J. J. Abrams, fica assente o facto de que o Supreme Leader Snoke foi crucial na sedução de Ben para o lado negro da força. Isto já foi mais que suficiente para nos deixar sedentos até aos últimos momentos do filme para ver Luke Skywalker, e que entrada que ela foi!

Numa situação muito familiar, BB-8 entra em cena com a missão de encontrar o mestre Jedi que se tornou uma lenda. Muito parecido à história de R2-D2 com a de Obi-Wan Kenobi, não? Este paralelismo volta a fazer uma ponte ente a trilogia original e este novo episódio de Star Wars, e que sorriso esboçámos quando é anunciado o objetivo do pequeno robot redondo. Luke não viria a aparecer no filme até aos momentos finais. A viver numa ilha deserta, esta situação faz-nos lembrar a de Yoda na trilogia original (estamos a ver A New Hope?). A aparição do mestre que agora tem cabelo e barba compridos fez despertar no público a sensação de estarmos a olhar para um Deus, uma lenda viva de mão direita robótica e longas vestes bege. Sem dizer uma única palavra durante o filme, a história de Luke Skywalker ainda estará longe de acabar.

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O mesmo não pode ser dito do favorito de muitos fãs, Han Solo. O pai de Kylo Ren, a pedido de Leia, tenta convencer o filho a retornar ao seu lado da Força, algo que pareceu possível durante alguns momentos. Kylo (que durante todo o filme admite sentir uma atração iminente pelo lado claro da Força, à qual tenta resistir) prepara-se para pousar o seu sabre de luz nas mãos de Solo, para, ao último segundo se arrepender e fazer a arma atravessar o peito do pai. Este foi o momento em que os fãs mais ficaram chocados. Se por um lado seria interessante fazer a transição de um vilão para o lado da força que Luke agora representa, essa decisão também podia tornar o filme menos impactante, e apesar de todos nós termos ficado de luto por respeito a Han, esta cena deu ao filme um peso que seria inalcançável de outra maneira. Um momento triste que torna o filme marcante, conseguido de uma maneira perfeita. Não ficando explícito o destino de Ben Solo neste filme, teremos de esperar pelo episódio VIII para saber se Leia tentará novamente trazer o seu filho para casa.

Outra das questões em aberto é a origem de Rey, a heroína do novo filme. Sabemos já que foi abandonada pelos pais com tenra idade num planeta pobre, mas mais nada. No filme vemos Rey a superar Kylo Ren numa batalha de sabres de luz e a conseguir ter mais força mental do que o vilão para segurar o sabre de Anakin e Luke Skywalker. Isto só pode significar que as suas origens são sinal de uma descendência de contacto com a força e com o universo Jedi. E qual a única ligação familiar mais forte que a que existe em Kylo Ren? Sim, a possibilidade de Rey ser filha de Luke Skywalker é o que sugerimos. Se isto se prova verdade ou não, também só saberemos mais tarde. Certo é que a opinião do público ficaria dividida: depois de tornar Kylo descendente de Han Solo e Leia Organa, a decisão de tornar outra personagem da fornada de The Force Awakens descendente de mais um dos heróis de sempre poderia ser interpretada como uma tentativa forçada de mais de cativar o público que se rendeu à trilogia original.

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Talvez a única crítica considerável deste filme seja o poder (ou falta dele) de Kylo Ren. Seria de esperar que um descendente da família Skywalker, treinado por Luke e mais tarde por Snoke seria um vilão que aterrorizasse todo o universo da saga, certo? A verdade é que neste filme, para além de não tirar a vida a ninguém para além do pai frágil e desarmado, consegue entrar numa luta com Rey de igual para igual. Parece um pouco absurdo, mesmo tendo em conta o facto de Rey ser extremamente sensível à Força, que alguém com anos de treino intensivo seja no final derrotado por alguém que atá há momentos nunca tinha utilizado um sabre de luz e nunca foi treinada neste tipo de batalha. Achámos que o filme pecou nesse aspeto, mas no geral não foi suficiente para retirar o imenso brilho desta produção, que superou as expectativas dos fãs.

No geral, The Force Awakens traz-nos tudo o que era necessário (e nem sempre fácil) fazer para ter sucesso: um grupo de heróis dinâmico, um vilão que não é desconhecido, a morte de um personagem importante, questões em aberto para os próximos episódios, um mestre Jedi que se tornou uma lenda, uma ameaça eminente (Snoke) e um equilíbrio mais que perfeito entre a trilogia original e o novo episódio. Não podíamos pedir mais!

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