‘The Danish Girl’


Quando somos arrebatados pelas imagens encantadoras – quase quadros – que abrem este The Danish Girl (A Rapariga Dinamarquesa na tradução portuguesa), é pouco provável que adivinhemos o quanto este filme se vai debruçar sobre uma temática humana, emocional e que emociona mesmo.

É assim que entramos na história de Einar Wegener, um pintor dinamarquês que goza de um sucesso nacional graças às suas belíssimas paisagens a óleo onde retrata os fiordes tão típicos de uma Escandinávia cénica e de grande beleza. É este pintor que vai dar o mote a toda a história, no momento em que descobre que a rapariga que ostenta quando se está a travestir, é quem ele realmente é.

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Se a temática da transexulidade ainda consegue ser polémica em 2015, este torna-se um dos principais problemas com o filme. A narrativa é óbvia, o caminho é percorrido quase sem grandes percalços até chegarmos seus aos momentos-chave e os desfechos são o que estávamos, mais ou menos, à espera. A beleza não se resume ao bonitinho.

No entanto, é um filme bonito e belo. A forma como nos apercebemos das mudanças, as oscilações no matrimónio na sequência de uma revelação como esta e as sociedades que são apresentadas, servem quase para nos educar do dilema que é viver uma situação tão peculiar e ainda assim tão humana. A fotografia, linda, suporta os acontecimentos com um olhar de esteta.

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É impossível falar deste The Danish Girl sem referir os seus dois protagonistas, em papéis contrários, mas igualmente inspiradores. Se é possível assistir a toda a dor que é para a esposa de Einar (Alicia Vikander) perder o seu marido para a sua verdadeira identidade, nada disto seria possível sem a interpretação épica de Eddie Redmayne no papel do pintor que, a seu tempo, será a rapariga dinamarquesa.