A história verídica por trás de ‘The Revenant’


The Revenant é indubitavelmente o filme mais falado desta altura. Nomeado para 12 Óscares, incluindo os mais cobiçados de Melhor Filme, Melhor Realizador e Melhor Actor, o filme de Alejandro Iñarritu aproveita a fantástica história de Hugh Glass para conquistar a noite dos Óscares pelo segundo ano seguido depois de Birdman em 2015.

Mas afinal, que história jaz por trás do calvário que foi a gravação do filme, especialmente para Leonardo DiCaprio? O actor foi obrigado a passar por situações extremas de forma a transmitir uma história de sofrimento real e verídico como foi a de Glass.

Hugh Glass era um caçador de peles nascido em 1780 na Pensilvânia, nos EUA. Anos mais tarde, Glass parte numa expedição pelo rio Missouri e é aqui que começa a jornada que conhecemos (ou pensamos conhecer) através de The Revenant, e que é baseada nos poucos registos que há escritos e em algumas conjecturas.

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Sem haver testemunhas oculares, a história mais conhecida sobre Glass é a do ataque que sofreu por parte de uma mãe urso. Assustada pela presença do homem e em defesa das suas duas crias, atacou Glass deixando-o às portas da morte, ou pelo menos é o que nos conta um advogado (com aspirações literárias) de Filadélfia que relatou por escrito esse episódio em vários jornais.

À beira da morte, Glass fica na companhia de dois outros homens da expedição, que tinham ordem para ficar com ele até que sucumbisse finalmente à morte. Fartos de esperar pelo fim do companheiro e sabendo que cada dia que passava a restante expedição estava mais longe, os dois homens decidem deixar Glass ao abandono dentro de uma cova que deveria servir de túmulo para quando morresse.

Quando Glass retoma os seus sentidos, é elevado por um desejo de vingança para com quem o deixou sozinho sob condições tão adversas.

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Gravemente ferido, o caçador encontra forças para sobreviver aos mais diversos desafios que a natureza lhe coloca. Comendo diversos animais (cobras, peixes crús…) caçados por si, Glass caminhou centenas (?) de quilómetros em busca da sua vingança. É aqui também que a história ganha novos contornos devido à falta provas sobre o que é verdade e o que é fantasia.

O que sabemos realmente é graças a registos militares que classificam Hugh Glass como um homem difícil de lidar (a ursa que o diga). O resto será talvez a realidade misturada com um pouco de imaginação popular que levaram inclusive ao registo escrito da sua história como no poema de John Neihardt, “The Song of Hugh Glass” (1915) e o livro de Frederick Manfred de 1954, “Lord Grizzly”.

De resto, não é também a primeira vez que a história de Glass é adaptada ao grande ecrã. Em 1971, foi lançado Man in the Wilderness com o reconhecido actor Richard Harris no principal papel de um filme que, tal como The Revenant, se propõe a mostrar-nos o inferno por que Glass passou.

Metade-conto, metade-verdade, ambas as perspectivas parecem estar correctas naquela que promete ser a história que vai conquistar os Óscares deste ano.