Astrónomos encontraram indícios da existência de um novo planeta gigante no Sistema Solar


É conhecido como Planeta X, ou Planeta Nove, e poderá estar neste momento a descrever uma órbita elíptica muito afastada em torno do Sol.

As provas que o denunciaram foram recolhidas através de simulações computacionais realizadas por dois investigadores americanos. Ou seja, o planeta em si ainda não foi directamente observado, sendo que esse irá será o próximo objectivo, e a derradeira confirmação da descoberta.

De acordo com as simulações, o planeta terá 10 vezes a massa da Terra e segue uma órbita entre 200 e 1200 vezes mais afastada que a distância da Terra ao Sol, razão pela qual demora entre 10 000 e 20 000 anos a completar uma volta e até agora conseguiu passar despercebido.

As simulações vêm no seguimento de um trabalho publicado em 2014 em que foi detectado um padrão anómalo nas órbitas de 13 objectos da Cintura de Kuiper. Os autores avançaram com a possibilidade de um pequeno planeta estar na origem da anomalia, mas a possibilidade não foi explorada a fundo.

Este trabalho despertou a curiosidade de dois colegas. Estes rapidamente se aperceberam que o alongamento das orbitas elípticas dos 6 objectos da Cintura de Kuiper mais afastados apontavam na mesma direcção, algo que “é quase o mesmo que ter seis ponteiros num relógio, todos a moverem-se a diferentes velocidades, e quando se olha estão todos exactamente alinhados. As probabilidades de isso acontecer são algo como 1 em 100”, explica Mike Brown, um dos autores.

Mais, para além desta coincidência, as órbitas estão inclinadas cerca de 30 graus em relação ao plano das órbitas dos planetas do sistema solar. O que só se deveria verificar com uma probabilidade de 0,007%. “Basicamente isto não deverá acontecer por acaso”, afirma o astrónomo. “Por isso pensámos que algo deveria estar na origem destas orbitas.”

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Através de simulações, os investigadores testaram vários cenários que poderiam explicar esta estranha disposição de órbitas. Mas foi apenas quando puseram a hipótese da existência de um planeta gigante que os resultados coincidiram com as observações, mas a dupla de cientistas manteve-se ceptica. “Apesar de tudo, eu ainda estava muito ceptico”, afirmou Konstantin Batygin, o físico teórico da dupla. “Nunca tinha visto nada como isto em mecânica celeste”.

A hipótese ganhou peso quando se aperceberam que a existência deste planeta na órbita descrita explicava o comportamento de determinados objectos da Cintura de Kuiper para os quais não havia explicação. “Traçámos as posições destes objectos e as suas orbitas, e eles igualaram exactamente as simulações”, afirmou Brown. “Quando fizemos essa descoberta, fiquei de queixo caído”.

Agora resta encontrar este planeta e Brown já está a trabalhar nesse sentido. “Adorava encontra-lo, mas também ficaria perfeitamente feliz se outra pessoa o descobrisse. É por essa razão que estamos a publicar este artigo. Esperamos que outras pessoas se sintam inspiradas e comecem a procurar”.

O artigo pode ser lido na integra aqui.