‘Brooklyn’


O melodrama de John Crowley, o mesmo realizador que nos trouxe Boy A, traz-nos um romance à moda antiga e de beleza singular situado nos anos 50. Saoirse Ronan interpreta Ellis Lacey naquela que é sem dúvida uma das interpretações a considerar para o Óscar de Melhor Actriz – prémio que deverá ser um dos Óscares mais difíceis de atribuir tal é a quantidade de excelentes interpretações femininas que tivemos este ano.

Por trás da serenidade no seu rosto e olhos azuis cristalinos, Saorsie Ronan transmite-nos uma leveza e bravura interior conjugada com a fragilidade e solidão próprias de menina originária de uma Irlanda rural que se vê repentinamente numa Nova Iorque cosmopolita, mais propriamente em Brooklyn.

Destaque óbvio também para Nick Hornby, nomeado para Óscar de Melhor Argumento Adaptado (em 2010 já o tinha sido pelo filme An Education) e que adaptou ao grande ecrã a história original de Colm Tóibín na sua essência, proporcionando uma experiência realista de uma menina-mulher perdida num novo mundo e dividida pelo amor. Ellis acaba por ficar no meio de uma dupla paixão que acaba por ter um significado metafórico: de um lado a terra onde cresceu e onde tem os seus laços familiares além de uma paixão local, Jim (interpretado por Domhnall Gleeson); de outro a nova experiência, o abraçar de uma vida num novo país onde deixou de ser menina e se emancipou realmente numa mulher de interior forte e onde passa a conhecer Tony (Emory Cohen).

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A divisão e transição entre o passado e futuro ou a ideia do que é verdadeiramente um “lar” para Ellis são uma conquista subtil de um filme perto da perfeição no que tem para nos oferecer.

Os momentos a dois entre Ellis e Tony proporcionam alguns dos pontos altos transmitindo um despertar emotivo que chega até nós, espectadores, com uma ternura e partilha de laços capazes de nos arrancar um sorriso dos lábios, tal como o filme no seu todo.