‘Creed’


 
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Um dos melhores reboots de que temos memória, Creed criou aqui o seu próprio caminho ao mesmo tempo em que honra o passado de Rocky que em 1977 se tornou um cult movie e surpreendeu ao ganhar o Óscar para Melhor Filme contra concorrentes como Taxi Driver, Network e All the President’s Men.

40 anos depois da estreia de Rocky nos cinemas e 10 anos depois do seu último capítulo com o filme Rocky Balboa, que viria a trazer de volta o bom nome da franquia depois de 4 filmes de menor qualidade, estava na altura de dar espaço aos mais jovens no ringue e na realização.

Adaptado aos nossos tempos e com uma fabulosa banda sonora a acompanhar-nos e que encaixa na perfeição nas cenas, Ryan Coogler faz-se acompanhar de Michael B. Jordan, reeditando assim a dupla realizador/actor que nos trouxe o excelente Fruitvale Station em 2013.

Do background histórico de Adonis Johnson/Creed, o filho extraconjugal do rival em ringue de Rocky Balboa, Apollo Creed, ao seu desenvolvimento enquanto personagem o caminho é feito sem sobressaltos e tudo surge de forma orquestrada para que resulte no final numa simbiose perfeita entre o passado e o caminho criado para o futuro. Ryan Coogler respeitou o espaço que Rocky precisava de ter neste filme. Há de certeza o dedo de Sly, o “cérebro” que criou e idealizou toda a saga inicial na concepção do caminho percorrido, mas isso em nada retira algo ao grande trabalho do jovem realizador que em 2018 nos vai presentear com Black Panther.

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Do destino escolhido por Adonis, o boxe, à relação amorosa, até crescer como lutador pelas ruas de Filadélfia ao lado da lenda local e mundial Rocky Balboa como treinador, tudo funciona no filme. No canto durante as poderosas e entusiasmantes cenas de luta de Adonis, Sylvester Stallone traz a sobriedade e experiência necessária ao mesmo tempo que luta ainda as suas próprias batalhas no que resulta numa actuação merecedora de Óscar para Actor Secundário (o Globo de Ouro já está ganho e de forma merecida).

De uma cena com motas (as escadas ficaram no passado) à cena final, preparem-se para se arrepiar, sorrir e torcer pelo nosso novo ídolo, Adonis Creed. O simbolismo da (excelente) entrega de testemunho criou espaço para que Rocky já possa finalmente descansar. Creed veio para ficar. Temos um novo legado.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!