Em 2015, um milhão de pessoas ficaram alojadas através do Airbnb em Portugal


Um milhão de turistas encontrou alojamento em Portugal através do Airbnb, no ano passado. Em perspectiva, este número significa que, caso o Airbnb fosse incluído nas estatísticas do INE, alojaria mais de 6% do total de visitantes (até Outubro, Portugal registou 15 milhões de hóspedes).

Os dados são avançados pelo jornal Público, depois de uma conversa com Arnaldo Muñoz, director ibérico do Airbnb. À semelhança da Uber, que não detém uma frota de carros, apenas faz a ligação entre motoristas e passageiros, também o Airbnb não é dono de qualquer casa. Trata-se de uma plataforma que apenas faz a ligação entre proprietários que queiram rentabilizar os seus imóveis e turistas à procura de espaço para ficar na vila ou cidade que visitam.

Em Portugal existem 34 mil casas registadas no Airbnb e foram contabilizados um milhão de hóspedes durante 2015, um número que faz parte dos 65 milhões que, no ano passado e em todo o mundo, contaram com o Airbnb para as suas férias ou viagens. Mas este um milhão é também “um número espectacular e praticamente o dobro do que registámos em 2014”, como comentou Arnaldo Muñoz.

“Lisboa está em 14º em número de anúncios e em 10º em número de hóspedes. Olhando para o Porto, é interessante verificar que durante o mês de Dezembro, o destino mais procurado foi o Porto, sobretudo por parte de norte-americanos, o que é espectacular”, revelou o executivo, acrescentando que Portugal está 11º lugar mundial em anúncios no Airbnb, num ranking liderado pelos Estados Unidos. “No total temos 34 mil anúncios. Cerca de 12 mil são na área da Grande Lisboa (mais 60% face a 2014) e uns 3700 no Porto, mais 90% do que no ano anterior. Temos também muitos anfitriões no Algarve, região que atrai muitos turistas britânicos.”

Segundo Arnaldo Muñoz, os quatro países que mais reservam para Portugal através do Airbnb são França (24,8%), Alemanha (10,5%), Reino Unido (9,3%) e Espanha (9,1%). “Mas em quinto, com 6,8% em número de hóspedes, estão os Estados Unidos”, acrescentou.

O Airbnb permite a qualquer pessoa encontrar uma casa no destino para onde vai, em trabalho ou lazer. As casas disponíveis na plataforma são geralmente de particulares que encontraram nesta plataforma uma forma fazerem os seus imóveis render. Muitas das vezes, os próprios donos vivem na casa que colocam a alugar no Airbnb, o que pode gerar oportunidades de contacto muito interessantes – principalmente entre os jovens que são os que mais recorrem ao Airbnb e que, por natureza, são os mais pré-dispostos a novas experiências e aventuras. “50% dos que têm a casa na plataforma fazem-no por motivos económicos. Porque é a única forma de manterem as suas casas, porque têm empréstimos e assim conseguem chegar ao final do mês e suportar a despesa, disse o responsável ibérico.

Em Portugal, o Airbnb é utilizado por 120 mil pessoas, um valor que mais que duplicou em relação a 2014 (52 mil portugueses). “São dados muito bons. Há oito anos nem sequer existíamos e, muito rapidamente Lisboa, passou a fazer parte dos destinos pesquisados.” Como o Airbnb não comunica com grandes campanhas de publicidade em televisão ou na Internet, por exemplo, este crescimento deve-se sobretudo ao boca-a-boca (“se o utilizador tiver uma boa experiência, partilha-a”) e, claro, ao esforço de PR junto da imprensa.