Hinds: “Quando começámos, o nosso objectivo era pôr os nossos amigos a ouvir-nos”


 
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As Hinds são, talvez, a primeira banda espanhola a atingir o estatuto de promessa indie a nível mundial.

Foi em Março de 2014 que Carlotta Cosials e Ana Perrote, ambas guitarristas e vocalistas e na altura os únicos membros de Hinds, lançaram no Bandcamp uma colectânea de duas músicas intitulada Demo. Recheadas de melodias catchy, “Trippy Gum” e “Bamboo”, as duas canções que compõem o reduzido alinhamento de Demo, destacam-se pela atitude punk, pela estética lo-fi e pela sinceridade e individualidade patente.

Poucos meses depois do seu lançamento, tornavam-se numa banda com quatro elementos – após Ade Martín e Amber Grimbergen se terem juntado para tocar baixo e bateria, respectivamente – e abriam os concertos de bandas como os Libertines, os Vaccines ou os Black Lips, tocando um pouco por toda a Europa. Com apenas 21 anos e duas canções online, as quatro raparigas de Madrid conseguiram chegar às bocas de publicações como a NME, a Pitchfork, a Paste ou a DIY.

Em 2015 lançaram-se para a sua primeira digressão mundial e aproveitaram todas as idas a casa para compor e gravar o seu álbum de estreia. Leave Me Alone é o nome escolhido para o primeiro longa duração da banda e o resultado de um ano atribulado, passado entre concertos nos Estados Unidos, na Tailândia e na Austrália, e o estúdio em Madrid que o viu nascer. Com lançamento marcado para 8 de Janeiro, Leave Me Alone já pode ser ouvido em streaming aqui.

O Shifter falou com a banda, que marcará presença em Portugal nos dias 5 e 6 de Fevereiro, para tentar perceber quais as razões para o crescimento atípico da banda e fazer um apanhado do preenchido ano que precedeu o lançamento do primeiro disco do quarteto de Madrid.

 

Uma das principais características das vossas músicas é o facto de soarem tão espontâneas e honestas; é fácil perceber que tudo isto começou apenas por diversão. Como foi tomada a decisão de tornar as Hinds num projecto sério e de assumir todas as responsabilidades que isso implica?

Olá! Para sermos honestas, tudo aconteceu demasiado rápido. Passadas 24 horas de termos posto a nossa primeira demo no Bandcamp, já tínhamos recebido vários emails, um deles com uma proposta para aparecermos na NME. Foi aí que tudo começou. Assinámos contratos para management, booking e promoção. Um dos momentos mais importantes nesse processo foi quando decidimos deixar de estudar para tentarmos tornar as Hinds na nossa ocupação principal.

Li numa entrevista vossa que a NME falou sobre a vossa demo mesmo antes de terem dado qualquer concerto. Como é que isso aconteceu?

[risos] É verdade! Parece que alguém, algures no Reino Unido, estava no Bandcamp quando lançámos a demo e acabou por ouvi-la. Gostou das nossas músicas e acabou a escrever sobre elas para a NME. Quando isso aconteceu ainda estávamos a ensaiar quase diariamente para o nosso primeiro concerto!

Começaram a dar concertos fora de Espanha numa fase bastante inicial da vossa carreira. Isto leva-me a pensar que, mais do que uma banda de Madrid, são uma banda dos tempos modernos que usa a Internet para criar uma base de fãs um pouco por todo o mundo. Era este o vosso objectivo quando começaram a tocar enquanto Hinds?

[risos] Nem pensar! Quando compusemos e gravámos a “Trippy Gum” e a “Bamboo”, o nosso único objectivo era pôr os nossos amigos a ouvi-las. Nunca pensámos que isto fosse acontecer.

Sei que compuseram e gravaram as músicas para o vosso álbum de estreia em Madrid, durante os breves períodos entre digressões em que puderam ir a casa. Terem andado durante vários meses a tocá-las nos Estados Unidos, na Europa, na Austrália e até mesmo na Tailândia, para vários públicos bastante diferentes uns dos outros, influenciou o resultado final e a forma como as canções foram gravadas em estúdio?

Andar em digressão acaba sempre por influenciar as músicas, claro. Quanto mais as tocamos, mais nos podemos aperceber como é que elas resultam tanto para o público como para nós próprias. Em alguns concertos, até tocávamos aquilo a que chamamos “song teasers”. Eram canções que ainda não estavam acabadas, mas que acabavam por entrar na setlist para percebermos o que é que podia ou não resultar. Assim que voltávamos para Madrid, trabalhávamos nelas consoante as ideias que retirávamos dos concertos.

Já tocaram em Portugal duas vezes, o ano passado no Vodafone Mexefest e este ano em Paredes de Coura. Conseguem encontrar muitas semelhanças entre o público português e o espanhol?

Claro que sim! Tanto o público espanhol como o português estão entre os nossos preferidos! As pessoas acabam sempre a dançar como umas malucas e gritam-nos coisas entre as musicas. (risos) No entanto, os fãs portugueses são um pouco mais intensos, no bom sentido, e até nos enviam bastantes mensagens e fotografias!

Recentemente, abriram alguns concertos para os Libertines na sua última digressão. Se pudessem fazer novamente algo do género, qual seria o artista que escolhiam para acompanhar em digressão?

Os Strokes! <3

Última pergunta! Que conselhos é que dariam às bandas portuguesas que estão a começar e que também pretendem sair de Portugal e construir uma base de fãs fora do seu país?

Trabalhar bastante, sem dúvida. Não há outra forma de o fazer sem ser assim.

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