ONU sugere financiar missões humanitárias com taxa solidária


O aumento exponencial de refugiados que tem chegado à Europa nos últimos meses tem gerado várias questões no debate público e revelado algumas brechas que têm urgência em ser cobertas. Uma delas diz respeito ao financiamento. No último relatório redigido por um grupo de peritos das Nações Unidas fica uma sugestão para dar resposta ao problema da escassez de recursos: criar uma taxa solidária voluntária sobre transportes, bilhetes de futebol, concertos ou bilhetes de cinema para financiar a ajuda humanitária.

No mesmo relatório, evidencia-se também o crescente aumento das necessidades humanitárias. Se em 2000 estas conseguiam ser colmatadas com dois mil milhões de dólares anuais, em 2015, é necessária uma quantia de 24,5 mil milhões de dólares para dar resposta a todos os problemas. Nas causas para o aumento dos focos de crise, diz-nos o relatório que estão as catástrofes naturais e a multiplicação e intensificação de conflitos.

O documento diz-nos também que a insuficiência das respostas dadas no terreno a estas crises pode ter contribuído para acentuar a fuga de alguns migrantes para a Europa. Em 2015, a ONU apenas conseguiu reunir 12 mil milhões de dólares para financiar missões humanitárias, ou seja, metade do necessário para atender a todos os casos.

Além de propor esta “taxa solidária”, o relatório declara um compromisso na luta contra o aumento das necessidades através de medidas de prevenção como a “prestação de auxílios mais eficientes aos países mais frágeis”. O aumento das fontes de financiamento é outro dos objectivos patentes no relatório.

Wolfgang Schäuble já havia sugerido no passado uma taxa semelhante à agora proposta pela ONU, mas a ser aplicada no combustível. Desse modo teríamos meios para uma resposta europeia à questão dos refugiados“, disse o ministro alemão ao jornal Süddeutsche Zeitung

No sentido de efectivar a taxa, Kristaloina Georgieva, comissária europeia, admite já terem sido feitos contactos com a FIFA. A avançar, a proposta pode, por exemplo, ser já posta em prática no próximo europeu de futebol, este ano, em França.

Resta também saber qual a reacção dos cidadãos em geral e da opinião pública a esta medida. Enquanto que uns podem vê-la como um mero gesto de solidariedade social, outros podem achá-la errada, por ir buscar ao bolsos errados. “Isto não é ajuda humanitária, é roubar do salário de uns pobres e sectores médios para dar a uns miseráveis, todos juntos, remediados e pobres e miseráveis em solidariedade activa com as empresas mundiais que continuam a saquear os recursos dos países, assim empobrecidos. É o famoso internacionalismo monetário”, comentou a historiadora Raquel Varela no seu perfil de Facebook.

Foto: João Porfírio/Shifter