Os nossos discos favoritos de David Bowie


Neste momento, multiplicam-se as homenagens ao artista por detrás do camaleão. David Bowie faleceu e é relembrado pelos seus inúmeros fãs, admiradores e curiosos do seu trabalho. Aqui, no Shifter, decidimos olhar para a sua carreira e escolher os nossos momentos favoritos através dos seus discos. Descubre as histórias e as músicas que mais gostamos neste artigo e comenta com os teus favoritos e porquê. Porque é assim que David Bowie não vai desaparecer.

 

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The Man Who Sold The World

The Man Who Sold The World é visto por muitos como o álbum que marca a transição não só de David Bowie como de todo o rock entre os anos 1960 e 1970. O que Bowie conseguiu com este disco vai para além do que se esperava dos rockstars naquela época. As influências de temáticas relacionadas com a história da arte ou as interpretações muito próprias do trabalho de Nietzsche apresentam ao mundo o Bowie pensador, consciente e crítico que acabaria por se entranhar para sempre na sua expressão artística. A evolução do rock nos anos 1970 entraria depois por caminhos sociais, económicos e culturais ainda pouco explorados, acabando este por ser um dos primeiros exemplos dessa nova expressividade crítica.

 

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The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars

Um dos momentos que corrobora a teoria da genialidade de David Bowie é a chegada do seu rapaz alienígena bissexual — que muitos vêem como um heterónimo construído no exagero da sua própria pessoa —, o laranja e avermelhado Ziggy Stardust. Pensada como um músico de rock em vésperas de fim do mundo, a personagem de Stardust valeu a Bowie o seu lançamento estelar no universo pop (“then we were Ziggy’s fans”; e fomos mesmo). Estratega, Bowie lançou o pacote completo: uma banda que o acompanhava (The Spiders From Mars, com os já falecidos Mick Ronson e Trevor Bolder a encabeçar o grupo), um disco para se fazer viver (The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars tem, para além do hino óbvio, três canções invejáveis — “Suffragette City”, “Starman” e “Rock N’ Roll Suicide”) e um concerto-documentário (Ziggy Stardust and The Spiders From Mars recorda a actuação no Hammersmith Odeon em 1973) que imortalizou os fotogramas desta fase, explorada ainda em Aladdin Sane, com a partida de Stardust para a América. Ziggy era talento, sense of fashion, trabalho e uma boa dose de loucura. Quando desapareceu, os fãs ressentiram-se; não queriam outro que não fosse Stardust. Bowie aproveitou para o revistar quando necessário. Um visionário, acima de tudo e de todos. Imortal, acima de todos os que estão acima de tudo e de todos.

 

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Station to Station

David Bowie caiu na personagem The Great White Duke. O tipo janota com roupa de cabaré que vemos neste Station t0 Station é essa personagem. O problema é que ao encarná-lo tropeçou numa dieta macabra de leite, cocaína e pimentos vermelhos que tornaram toda a gravação do disco uma grande paranóia – como o seu medo de Aleister Crowley, o ocultista inglês. Era o próprio Bowie que garantia que já não se lembrava nada da produção deste disco. Felizmente, a melhor parte ficou gravada. Um álbum de transição onde parte do anterior Young Americans para uma música com mais funk, com mais soul, mas que já incorpora a mecanização, os ritmos e os sintetizadores de Neu! e Kraftwerk. Uma chamada de volta à Europa para um novo ciclo, igualmente brilhante.

 

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Heroes

O exagero de Young AmericansStation to Station marcou também o fim de David Bowie por Los Angeles e trouxe-o de volta à Europa para a criação de três discos muito especiais, agora considerados a trilogia de Berlin. Mas dos três, Heroes é a estrela. O único disco da série a ser gravado inteiramente em Berlim, tem um tema título inesquecível sobre dois amantes que se conhecem no Muro de Berlim. O feeling de exploração e experimentação de Low continua a ser levado a cabo neste disco, agora ainda mais avant-garde. É considerado, de forma quase unânime, pela crítica como um dos melhores discos de David Bowie.

 

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Let’s Dance

De uma carreira enterrada a uma carreira renascida. David Bowie estava em queda, mas com uma ajuda d Nile Rodgers na produção, voltou em grande com Let’s Dance. Uma música que lhe trouxe o sucesso que já tinha tido nos Estados Unidos e que lhe garantiu vender sete milhões de cópias a nível mundial. É engraçado que também tenha sido um marco enorme na carreira de Stevie Ray Vaughan, o icónico guitarrista americano que toca no single que dá nome ao disco. Também inclui a incrível Cat People (Putting Out Fire) que já tinha sido criada para o filme com o mesmo nome, produzida por Giorgio Moroder.