#OscarsSoWhite: ausência de actores negros nos nomeados é motivo de contestação


Depois de ter sido revelada a lista dos nomeados aos Óscares deste ano, a falta de actores negros candidatos aos cobiçados prémios da Academia foi motivo de contestação não só na imprensa e nas redes sociais, mas também por parte de figuras públicas.

Este fenómeno, que já o ano passado se repetiu, deu inclusive origem ao hashtag #OscarsSoWhite. A público e em defesa da Academia veio Cheryl Boone Isaacs, presidente da Academy of Motions Picture Arts and Science, que através do Twitter tentou colocar alguma água na fervura.

“Em 2016, o mandato é a inclusão em todas as suas facetas: género, raça, etnia e orientação sexual”, referiu Cheryl Boone acrescentando ainda que essa mudança “não está a surgir tão rápido quanto gostaríamos.”

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As propulsões deste acontecimento aumentaram substancialmente quando o cineasta Spike Lee e a actriz Jada Pinkett Smith, mulher de Will Smith (nome que chegou a ser falado como possível nomeado pela sua prestação em Concussion), vieram esta segunda-feira apelar a um boicote à cerimónia dos Óscares, referindo que não vão estar presentes na gala do próximo dia 28 de Fevereiro, como forma de protesto.

 

#OscarsSoWhite… Again. I Would Like To Thank President Cheryl Boone Isaacs And The Board Of Governors Of The Academy Of Motion Pictures Arts And Sciences For Awarding Me an Honorary Oscar This Past November. I Am Most Appreciative. However My Wife, Mrs. Tonya Lewis Lee And I Will Not Be Attending The Oscar Ceremony This Coming February. We Cannot Support It And Mean No Disrespect To My Friends, Host Chris Rock and Producer Reggie Hudlin, President Isaacs And The Academy. But, How Is It Possible For The 2nd Consecutive Year All 20 Contenders Under The Actor Category Are White? And Let’s Not Even Get Into The Other Branches. 40 White Actors In 2 Years And No Flava At All. We Can’t Act?! WTF!! It’s No Coincidence I’m Writing This As We Celebrate The 30th Anniversary Of Dr. Martin Luther King Jr’s Birthday. Dr. King Said “There Comes A Time When One Must Take A Position That Is Neither Safe, Nor Politic, Nor Popular But He Must Take It Because Conscience Tells Him It’s Right”. For Too Many Years When The Oscars Nominations Are Revealed, My Office Phone Rings Off The Hook With The Media Asking Me My Opinion About The Lack Of African-Americans And This Year Was No Different. For Once, (Maybe) I Would Like The Media To Ask All The White Nominees And Studio Heads How They Feel About Another All White Ballot. If Someone Has Addressed This And I Missed It Then I Stand Mistaken. As I See It, The Academy Awards Is Not Where The “Real” Battle Is. It’s In The Executive Office Of The Hollywood Studios And TV And Cable Networks. This Is Where The Gate Keepers Decide What Gets Made And What Gets Jettisoned To “Turnaround” Or Scrap Heap. This Is What’s Important. The Gate Keepers. Those With “The Green Light” Vote. As The Great Actor Leslie Odom Jr. Sings And Dances In The Game Changing Broadway Musical HAMILTON, “I WANNA BE IN THE ROOM WHERE IT HAPPENS”. People, The Truth Is We Ain’t In Those Rooms And Until Minorities Are, The Oscar Nominees Will Remain Lilly White. (Cont’d)

Uma foto publicada por Spike Lee (@officialspikelee) a

Não é a primeira vez que Spike Lee se vê envolvido numa polémica do tipo, já que em 2014 o realizador tinha prestado declarações polémicas contra a gentrificação que se fez e faz sentir sobre os bairros de Nova Iorque outrora maioritariamente habitados por afro-americanos.

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Já contra Jada Pinkett Smith fez-se ouvir uma voz em particular. É o caso de Janet Hubert, actriz afro-americana que na década de 1990 participou com Will Smith na série The Fresh Prince of Bel-Air. Num vídeo publicado por si desdramatiza toda a polémica apontando a Jada Pinkett que há problemas maiores do que as nomeações aos Óscares que são feitas por parte de uma indústria que tanto dinheiro lhe deu a ganhar.

A actriz deixa ainda palavras contra Will Smith que, durante a rodagem da série onde o actor era protagonista, se recusou a apoiar o restante elenco de forma a permitir uma renegociação dos ordenados.

Com argumentos contra ou a favor do boicote, o assunto tem estado na ordem do dia nas redes sociais. Se há quem ache a atitude de contestação acertada e considere que a falta de actores negros entre nomeados foi uma decisão consciente e discriminatória da Academia, há quem acuse as personalidades na origem da polémica de se vitimizarem para obterem uma vantagem que não lhes devia ser reconhecida a não ser por mérito.