Português cria o “Google Maps do cérebro humano”


 
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Estamos em 2016, e, apesar de esta ser a era da tecnologia, os nossos médicos ainda fazem diagnósticos a partir das imagens planas geradas pelos exames de ressonância magnética. A informação assim apresentada não permite mais que um diagnóstico de carácter qualitativo por parte dos médicos, o que limita a quantidade de informação que pode ser retirada da ressonância magnética.

Este é um problema que Paulo Rodrigues, um português de 34 anos a viver em Barcelona, espera resolver com o software que desenvolveu. O sistema recebe as imagens 2D da ressonância magnética e gera um modelo 3D, um autêntico mapa do cérebro do paciente.

A título de exemplo, o português afirma que o software que desenvolveu pode fazer a diferença entre poder dizer que “há uma lesão nesta ou naquela parte do cérebro” e um diagnóstico mais exaustivo em que se conclui que “há uma lesão com estas coordenadas, com aquele tamanho e determinado volume. Essa lesão faz parte da conexão do circuito motor, que está afectado a 10%”.

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A tecnologia desenvolvida motivou Paulo Rodrigues a criar a sua própria empresa, a Mint Labs, em 2013, em conjunto com a sua colega de doutoramento, a macedónia Vesna Prchkovska. O serviço é acedido através do browser da internet, bastando para isso que sejam submetidas as imagens de ressonância magnética pelo site do serviço, em conjunto com a informação que se pretende saber. Posteriormente, e após o processamento das imagens 3D ter sido concluído, é enviado ao utilizador um relatório com a informação pretendida.

Todo o processamento é feito na cloud, para conveniência do utilizador, sendo que a imagem 3D é arquivada pela empresa, que soma já 30000 imagens correspondentes a 4000 pessoas. Arquivo este que Paulo Rodrigues espera que cresça para se vir a tornar “a maior base de dados do mundo de imagens cerebrais”.

Mas por enquanto o foco da empresa está em expor a tecnologia a médicos e investigadores, contando para isso com colaborações com diversos hospitais em Espanha e nos Estados Unidos. “O que nos interessa é tentar ajudar os clínicos a descobrir o que se passa com o cérebro quando tem doenças como a esclerose múltipla, a Parkinson ou a Alzheimer”, afirma o português.

Entre diagnósticos e ensaios clínicos, são imensas as possibilidades de aplicação desta tecnologia. Resta agora à Mint Labs convencer a indústria disso mesmo.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!