Snarky Puppy e o seu jantar em família, exibido no Cinema IDEAL


Pelas 19h30, a estreita rua do cinema IDEAL já se inundava de gente, numa fila desordenada e repleta de uma multidão jovial, à espera para ver um filme de uma banda que, desde 2004 tem cativado este mundo e o outro, formando legiões de fãs e restaurando o espírito da música em grupos. Um verdadeiro fenómeno que não se verificava desde o tempo em que amigos se juntavam à volta de um leitor de vinil, simplesmente a contemplar alguém que admiram em conjunto. Os Snarky Puppy trouxeram isso de volta, música feita por um colectivo para um colectivo. Um fenómeno social e acima de tudo, uma partilha de uma experiência entre amigos.

Deu-se a entrada na sala pelas 20 horas, toda a multidão se sentou, aguardando a entrada de Michael League, líder e baixista da banda. Sempre de bom humor, um pouco tímido e com um sorriso na cara, foi recebido com uma enchente de aplausos, talvez mais do que o próprio esperava. Apresentou o filme, dizendo que o objectivo principal foi juntar cantores a instrumentistas, com o objectivo de criar uma sinergia perfeita.

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Um começo misterioso, seguido de uma música, a única já tinha sido lançada, como forma de aguçar o ouvido dos fãs. De seu nome “I Asked”, interpretada pela cantora americana Becca Stevens e acompanhada pelo grupo sueco, Väsen, foi então a primeira que se fez ecoar numa sala escolhida a dedo, pelas excelentes condições que apresentava.

As músicas que se seguiram, foram sempre intercaladas por entrevistas e músicas tocadas no backstage com os artistas participantes, e o público mostrou-se extremamente receptivo a tudo o que foi exibido. Batiam palmas no fim de cada música, riam-se do enorme sentido de humor de David Crosby e Becca Stevens, da cómica pronúncia do brasileiro Carlos Malta. Mas também se sentia uma intensa e harmoniosa energia, movimentada pelo amor que cada músico demonstrava. As entrevistas foram conduzidas por Michael, e giravam sempre em torno do que é fazer música e do sentimento que é transmitido na sua composição. Quem o expressou melhor foi Susana Baca, a peruana de 71 anos, que através do castelhano transmitia um amor incondicional pela música.

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Após uma hora e meia repleta de diferentes emoções, o filme acabou com uma ovação em pé e uns extensos créditos. O baixista subiu ao palco, e de forma muito aberta respondeu às perguntas feitas. Depois ainda saiu e ficou no lobby do cinema a falar com todos os fãs, fosse para uma foto, para falar sobre música ou até sobre os sonhos que cada um lhe expunha, a verdade é que se mostrou sempre aberto a qualquer dúvida.

Uma sensação de mais do que satisfação, de adoração, ficou completamente explícita na cara de quem assistiu ao excelente evento.

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Deixamos-te a lista das músicas que foram exibidas no filme:

  1. I Asked (featuring Becca Stevens & Väsen)
  2. Molino Molero (featuring Susana Baca & Charlie Hunter)
  3. Liquid Love (featuring Chris Turner)
  4. Soro (Afriki) (featuring Salif Keita, Carlos Malta, & Bernardo Aguiar)
  5. Sing to the Moon (featuring Laura Mvula & Michelle Willis)
  6. Don’t You Know (featuring Jacob Collier & Big Ed Lee)
  7. I Remember (featuring Knower & Jeff Coffin)
  8. Somebody Home (featuring David Crosby)

Texto de: João Carvalho
Editado por: Rita Pinto

Fotos de: Diogo Oliveira/Shifter