#WomenNotObjects: a campanha que quer revolucionar a indústria da publicidade


 
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Um pequeno vídeo “We Are #WomenNotObjects” está a dar que falar nas redes sociais. “Sou a tua mãe. A tua filha. A tua irmã. A tua colega de trabalho. A tua manager. A tua CEO. Não fales comigo assim.”

Durante 2 minutos, várias mulheres apresentam alguns anúncios sexistas de marcas conhecidas enquanto comentam o que cada um deles sugere. “Adoro sacrificar a minha dignidade por uma bebida”, diz uma mulher enquanto segura um cartaz da Skyy Vodka. “Adoro dormir com homens que não sabem o meu nome”, é o comentário à publicidade da Post-it. O video mostra ainda uma nova versão da pintura de Emanuel Leutze – “Washington Crossing the Delaware” – com mulheres em bikini junto de uma carrinha.

Os anúncios recorrem a figuras femininas semi-nuas ou em poses sugestivas e todos eles têm algo em comum: utilizam os seus corpos para vender produtos. O vídeo, colocado na internet há cerca de duas semanas, já teve mais de 100 mil visualizações e recebeu especial atenção da UN Women, organização das Nações Unidas dedicada à igualdade de géneros e direitos das mulheres, que tweetou, recentemente, a campanha.

O objectivo da #WomenNotObjects é despertar a atenção e aumentar a consciencialização para este problema, levando as agências de publicidade a diminuírem a utilização de mulheres como adereços nas suas campanhas. E, por incrível que pareça, é uma executiva de uma agência de publicidade que está por detrás desta iniciativa. Madonna Badger, da companhia norte-americana Badger and Winters Group, quer honrar a morte das filhas (em 2011 perdeu os seus pais e as três filhas num incêndio) e mostrar como este tipo de publicidade sexista pode afectar a auto-estima e os valores das mulheres mais jovens.

A empresa de Badger, que trabalha com marcas como a Avon e Vera Wang, prometeu, inclusive, não criar anúncios que tratem as mulheres como simples objectos. Mas a própria Madonna tem noção que, no passado, contribuiu para este tipo de cultura que objectiva o sexo feminino: “Se dissesse que nunca o fiz, estaria a mentir”, conta.

Ainda assim, a Badger não é o único exemplo. Nos últimos anos, grandes marcas como a Unilever, Procter & Gamble e Under Armour têm apostado em campanhas publicitárias com mensagens que apoiam e engrandecem as capacidades das mulheres e das jovens. O caminho é longo mas parece já existir uma luz ao fim do túnel.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!