Amesterdão: a cidade que realmente nunca dorme


 
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Nova Iorque é conhecida por ser “cidade que nunca dorme”, mas Amesterdão merece mais esse apelido. De acordo com o site CityLab, o promotor de festas Mirik Milan está a tornar esta grande cidade europeia numa cidade viva à noite. A ideia implementada consiste em criar certas avenidas com negócios que fecham cedo: quando o dia nasce. O objectivo de Mirik Milan é balancear a vontade dos noctívagos com o desejo de calma dos restantes.

“Se queremos ter uma economia non-stop em Amesterdão, de 24 horas durante sete dias, então temos de criar uma área da cidade que viva 24 horas por dia”, afirma Milan. E por viva o promotor quer dizer espaços de trabalho partilhados, bibliotecas, restaurantes ou cafés e outros negócios de necessidades básicas. Isto é essencial para os holandeses que, segundo conta Mirik Milan, não têm onde jantar depois das nove e meia da noite, pois tudo fecha cedo.

O colmatar desta necessidade pode ser também a solução de um problema: a população queixa-se do barulho após o fecho das discotecas (às 4 horas durante a semana e às 5 horas durante o fim-de-semana), o que levava as pessoas inevitavelmente para a rua – mas isso pode acabar com estas alternativas. Milan conseguiu expandir o horário dos clubs – dando-lhes mais lucro – e, com isso, diminuiu a confusão. É uma situação de win-win.

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Não é por acaso que a ideia veio de Mirik Milan. O site City Lab chama-o o “night mayor” de Amesterdão (o presidente da câmara à noite). O projecto começou em 2003, mas só em 2014 é que se concretizou, estando agora em fase de desenvolvimento. O principal objetivo inicial foi afastar a ideia de que à noite corresponde o sexo, o crime e o vómito. E não é fácil fazer a quadratura do círculo entre os residentes, o comércio nocturno e a câmara.

Apesar de não ter poder executivo, Milan tem encontrado consenso para soluções conjuntas, influenciando o futuro da cidade. “A noite é tratada sempre de forma diferente em comparação com o dia”, diz, referindo que é preciso curar as feridas entre os políticos, a polícia e os noctívagos.

O night mayor conseguiu tanto sucesso que Paris, Toulouse e Zurique já têm os seus próprios e Londres e Berlim estão a pensar no assunto. Dentro da Holanda, Groningen e Nijmegen são outras duas cidades com night mayors com projectos em desenvolvimento. O maior avanço acontece em Abril deste ano, altura em que Amesterdão é o palco da primeira edição do evento Night Mayor’s Summit, uma conferência de partilha de experiências para quem gere cidades à noite.

Fotos: Flickr

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