Anunciados os primeiros nomes do Milhões de Festa 2016


 
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O mistério acabou: à medida que o verão se aproxima, esgotou-se os primeiros 100 bilhetes para o festival e dissipam-se as nuvens por cima do Milhões de Festa e as tardes nas margens do Cávado deixam de ser uma miragem. A visão da Lovers & Lollypops e do Município de Barcelos fica cada vez mais perto da concretização entre os dias 21 e 24 de Julho, no Parque Fluvial da cidade, com o anúncio da primeira leva de nomes, que tem nos suecos Goat o nome maior, estrategicamente apoiados pelos Sons of Kemet, por Domenique Dumont, e pelo regresso da curadoria da promotora londrina Baba Yaga’s Hut.

Os Goat são um dos mais antigos namoros do festival e, em ano de se chegar à sétima edição a revirar Barcelos, o Milhões mune-se agora com a contribuição dos xamãs que canalizam séculos de comunicação humana numa expressão rock ácida e de proveniências antigas e indefinidas.

A eles juntam-se os Sons of Kemet do prodigioso Shabaka Hutchings, que já havia passado pela cidade minhota em 2013 com Comet is Coming e Melt Yourself Down; o novo projecto do saxofonista londrino procura nas raízes da sua africanidade o ponto de partida para um futurismo inspirado em Sun Ra, de improviso jazzístico e com corpo orgânico. Aos supracitados acrescerá a nova coqueluche da Antinote Records, o misterioso Domenique Dumont, que na sua expressão electrónica inspira anos 80 e expira ondas de dança.

Com a primeira remessa de confirmações vem, ainda, a curadoria da promotora londrina Baba Yaga’s Hut, que parte para a sua terceira encarnação em 2016. Para este ano, os britânicos inscreverão na história do Milhões a contribuição dos altíssimos e sempre furiosos Part Chimp, a electrónica exploratória dos Tomaga e o rock alienado dos Evil Blizzard.

O Milhões de Festa regressa ao Parque Fluvial de Barcelos nos dias 21, 22, 23 e 24 de Julho e os bilhetes já se encontram à venda por 50 euros via Bilheteira Online e nos locais habituais, estando também e já disponível o pack com alojamento da Get a Fest. A partir de 10 de Maio, os preços dos ingressos gerais fixam-se nos 60 euros.

Goat

Inspirados pelo vodu do norte da aldeia sueca de Korpilombolo (população 529), os Goat são a reincarnação de uma maldição centenária imposta sobre a vila, que se manifesta através de um excêntrico role-playing com máscaras primitivas sob um rock absorvente e intrusivo, um autêntico caleidoscópio de estilos reinventados e absorvidos que nos promete deixar possuídos durante todo o Milhões e fazer-se sentir em toda a ressaca. Preparem os analgésicos.

Sons of Kemet

Shabaka Hutchings já cunhou a sua marca no Milhões de Festa — estávamos em 2014, e o saxofonista rebentou com os miolos de toda a gente no Taina com Comet is Coming, e ainda participou na festa mais rija do palco principal com Melt Yourself Down. Para 2016, o prodígio britânico regressa com mais um projecto, o ensemble de percussões vs. metais que catapultou o londrino, uma vez mais, para as bocas da crítica especializada. É como uma explosão jazz com o primitivismo rítmico dos tribalismos africanizados, um virus infeccioso e impossível de conter.

Domenique Dumont

De identidade desconhecida (até para a própria editora, que se limitou a ouvi-lo/a), Domenique Dumont criou um pequeno universo que é uma autêntica lufada de ar fresco: uma colisão doce de eletrónica, dub e pop vinda diretamente dos trópicos, com faixas feitas à medida para a pista de dança e para os corações mais moles. É a formula perfeita para as noites mais frias do Milhões, sem que seja necessário recorrer ao calor humano.

Part Chimp

Clássicos da cena de Londres, os Part Chimp são a encarnação mais pura, dura e crua do rock, sempre a rolar por cima de todas as estruturas, agredindo tímpanos indiscriminadamente e riffando para pescoços de todas as proveniências. São, em súmula, o reflexo perfeito de uma editora que se baptizou Rock Action e é por isso que o trio captou as atenções dos escoceses Mogwai: porque são uns punks a soar a eles próprios numa aventura para salvar o rock de paragens mais aborrecidas.

Evil Blizzard

Há coisas estranhas, e depois há Evil Blizzard: quatro baixos, um baterista que canta e cinco máscaras em palco a determinar o ritmo para uma javardice no wave distorcida. É assim que o quinteto britânico se apresenta em palco, e nem o calor o vai demover de uma demonstração horripilante de como fazer rock para movimentos pélvicos ao mesmo tempo que se promove uma sessão de castanhada.

Tomaga

É através da exploração do espaço (seja ele físico ou imaginário) que os Tomaga criam formas dignas de fantasias mais obscuras, dando lugar a um psicadelismo elusivo que nos deixa entre aquele sítio onde ainda estamos conscientes e o próprio sonho. Tomaga parece o trabalho multi-instrumental moldado cuidadosamente através da letargia, que promete nos deixar estatelados quando passarem pelo Milhões.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!