Crianças refugiadas projectam sessões fotográficas sobre o seu futuro profissional


“Quero a nossa sociedade a abrir-se e a dar espaço às mulheres para serem quem elas querem ser. Foi por isso que decidi tornar-me uma advogada.” Crianças refugiadas sírias na Jordânia, longe do confronto que lhes tirou a casa, familiares e amigos, apesar de muitas vezes assediadas, exploradas e vítimas do afastamento da educação, continuam a ser crianças com objectivos e sonhos, que gostam de imaginar o que a vida lhes reserva no futuro.

Crianças sírias refugiadas na Jordânia, longe do confronto que lhes tirou a casa, familiares e amigos, apesar de muitas vezes assediadas, exploradas e vítimas do afastamento da educação, continuam a ser crianças com objectivos e sonhos, que gostam de imaginar o que a vida lhes reserva no futuro.

Foi precisamente com base nesta premissa que o International Rescue Committee (IRC), com o programa Vision not Victim, enviou a fotógrafa Meredith Hutchison ao Campo de Refugiados de Zaatari, em Mafraq, no norte da Jordânia. A ideia era realizar um projecto em que convidavam meninas a discutir os seus objectivos e a imaginarem as suas futuras vidas, quer pessoais, como profissionais.

Todos crescemos com os nossos sonhos, muitos de nós lembramo-nos de querer ter várias profissões, de astronautas a jornalistas, a médicos ou exploradores. Mas como se pode ler no site do programa “em muitas partes do mundo, meninas atingem a idade adulta sem nunca serem questionadas sobre os seus sonhos e ambições. Imagina, por um momento, que és uma dessas meninas. Em vez de perseguires a tua educação e interesses, o que se espera de ti é que trabalhes dia e noite para apoiar as necessidades da tua família. Enfrentas riscos imensos, vives sob a ameaça de casamento precoce e violência. Experimentas assédio e abuso quando sais, e estás muitas vezes isolada dentro de casa.”

Através desta iniciativa, que “reuniu grupos de meninas para explorar o seu poder e potencial e a cultivar habilidades essenciais” as crianças juntaram-se aos mentores das suas comunidades, para que cada uma expandisse “a sua ideia do que é possível”, criasse uma visão de si mesma e desenvolvesse um plano estratégico para alcançá-lo. Foram as próprias crianças que projectaram e dirigiram uma sessão de fotografias, com poses onde encarnavam o seu futuro enquanto pessoas adultas que alcançaram o seu objectivo pessoal e profissional. As participantes desta iniciativa compartilharam as suas fotografias com os seus familiares, amigos e vizinhos, “inspirando muitas outras meninas a considerar seu próprio potencial”. Os parceiros do IRC tiveram ainda conversas com pais e líderes comunitários para explorarem maneiras que possam manter as meninas seguras, apoiando-as com bases na igualdade a alcançar os seus objetivos.

Segundo a última atualização das Nações Unidas, a 7 de Fevereiro deste ano, são já mais de 4 milhões e 500 mil os refugiados sírios no Egipto, Iraque, Jordânia, Líbano, Turquia e Norte de África.

 

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Nesrine, 11 anos, agente da polícia: “I saw a policewoman for the first time when I was 11 – before that I hadn’t considered it as a career. At that moment of my life, I wasn’t even going to school – I just had no interest. But once I decided this was my dream, I studied hard and pursued it. Now that I am a police officer, I help many people who are in danger or trouble, and I encourage young girls to get their education so that they can reach their goals.”

 

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Fatima, 11 anos, cirurgiã: “In this image, I am examining an x-ray of a patient to see what is causing the pain in her chest. At this point in my life I am a well-respected surgeon in the region. I treat many patients, but the patient I care most about – the one that drove me to be a doctor – is my father, who has lots of medical issues. To be able to help my father, this makes me feel strong, powerful, and capable.”

 

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Rama, 13 anos, médica: “Walking down the street as a young girl in Syria or Jordan, I encountered many people suffering – sick or injured – and I always wanted to have the power and skills to help them. Now, as a great physician in my community, I have that ability. Easing someone’s pain is the most rewarding aspect of my job. To be able to give them relief and make them smile – this is what I love most.”

 

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Amani, 12 anos, piloto: “I love planes. Even before I had ever been on a plane, I knew I wanted to be a pilot. Flying is adventurous and exciting. When I was younger, my brother always told me that a girl can’t be a pilot, but I knew deep down this is what I wanted to do. I finished my studies and found a way to get to flight school. Now, not only do I get to live my dream, but I also get to help people travel, to see the world, and discover new places.”

 

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Merwa, 13 anos, pintora: “In this image, I am a popular painter, working on a landscape in oils. When I was younger, painting was a hobby – but as I grew older I saw I had a great talent and went to art school. Now I have my own gallery where I sell my paintings and sculptures. My hope is that my artwork inspires peace in the world and encourages people to be kind to one another.”

 

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Fatima, 16 anos, arquitecta: “I’ve always wanted to be an architect. Yet, when I was young people told me that this is not something a woman could achieve, and they encouraged me to pursue a more ‘feminine’ profession. But I dreamt constantly of making beautiful homes for families, and designing buildings that bring people joy. Now that I’ve reached my vision, I hope I am a model for other girls – showing them that you should never give up on your dream – no matter what others say.”

 

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Nour, 16 anos, advogada: “I want violence against women to end. I want women to be able to make decisions for the community, and say their opinion without fear. I want our society to open up and give space for women to be whoever they want to be. This is why I decided to become a lawyer. When I was younger, my mother told me I was courageous and truthful, and that I could be a great lawyer who fought injustice. I took her advice, and now am a respected lawyer working on women’s rights and defending women who are victims of domestic violence.”

 

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