Crise dos refugiados e guerra na Síria inspiram vencedores do World Press Photo 2015


Este artigo é gratuito como todos os artigos no Shifter.
Se consideras apoiar o nosso trabalho, contribui aqui.

Os vencedores da 59ª edição do World Press Photo, um dos mais prestigiados concursos do mundo que premeia as melhores fotografias jornalísticas do ano, retrataram momentos verdadeiramente sensíveis do cenário internacional nos dias de hoje como a crise dos refugiados, a poluição extrema na China ou a ascensão do Daesh. As fotografias foram seleccionadas num total de 82.951 imagens participantes, tiradas por 5.775 fotógrafos vindos de 128 países diferentes.

O vencedor do Grande Prémio, que é distinguido com a melhor fotografia do concurso, foi o fotógrafo australiano Warren Richardson e a sua reportagem fotográfica que acompanhou um grupo de refugiados na fronteira entra a Sérvia e a Hungria, ao registar o momento em que um homem passava um bebé por uma abertura na vedação de arame farpado. Este homem e criança eram parte do grupo de pessoas que procuravam cruzar a fronteira para a Hungria antes que a cerca de segurança colocada ao longo da fronteira fosse concluída.

A fotografia, com imagem a preto e branco e intitulada “Hope of a New Life”, foi tirada durante a noite de 28 de Agosto de 2015, altura em que Richardson acampou com um grupo de refugiados por cinco dias do lado da fronteira sérvia. Recebeu também o primeiro prémio na categoria individual “Spot News”.

hope of a new life

Uma dos grandes destaques deste ano foi também a premiação do fotojornalista português Mário Cruz, da agência Lusa, que venceu na categoria “Contemporary Issues” na sub-categoria “Histórias”, com o trabalho “Talibes, Modern-day Slaves”, uma reportagem sobre tráfico e exploração de trabalho infantil no Senegal e na Guiné-Bissau. O mesmo retrata as condições em que rapazes entre os 5 e os 15 anos vivem e como são levados a entrar numa rede criminosa de exploração infantil.

modern day slaves

Na categoria individual, o retrato premiado é de Zhang Lei com uma fotografia da cidade de Tianjin, no norte da China, envolvida por ar poluído. A mesma surgiu na sequência de trabalho pedido por um jornal local, e foi tirada a 10 de dezembro de 2015.

O brasileiro Mauricio Lima, do The New York Times, foi o vencedor na categoria individual “General News”, com a fotografia de um médico a tratar as queimaduras de um jovem de 16 anos, integrante do grupo terrorista auto-proclamado Estado Islâmico, na província de Hasaka, na Síria.

O primeiro lugar da categoria “Long-Term Projects” foi conquistado por Mary F. Calvert, num trabalho que mostra a história de 11 mulheres que foram vítimas de violência sexual durante o serviço militar nos EUA e desenvolvem stress pós-traumático, sendo muitas vezes afastadas do exército pelos seus próprios agressores.

Outra das fotografias relacionadas com a crise dos refugiados na Europa foi a de Matic Zorman, na categoria individual “People”. Tirada a 7 de Outubro de 2015, o eslovaco fotografou uma criança coberta com uma capa de chuva de plástico na cabeça, enquanto aguardava para se registar num campo de refugiados na cidade de Preševo, na Sérvia.

Na categoria individual “Nature”, o australiano Rohan Kelly foi distinguido com o primeiro lugar ao retratar um “tsunami de nuvens” na praia Bondi, Sydney, a 6 de Novembro de 2015. Ainda mais curioso, é o facto de podermos ver no areal banhistas despercebidos ou despreocupados perante o fenómeno.

Já na categoria individual “Sports”, a fotografia foi tirada durante o campeonato mundial da Federação Mundial de Ski, em Beaver Creek, Colorado, pelo austríaco Christian Walgram, onde, a 15 de Fevereiro de 2015, o atleta checo Ondrej Bank sofre um acidente.

Por fim, na categoria individual “Daily Life”, o canadiano Kevin Frayer foi premiado pela fotografia “China’s Coal Addiction”, onde mostra um homem a puxar um triciclo junto a uma central alimentada a carvão em Shanci, China, em Novembro. A forte dependência da combustão de carvão para obter energia, tornou a China a responsável de quase um terço do total das emissões de dióxido de carbono no mundo.

Os World Press Photo têm premiado as melhores fotografias jornalísticas do ano desde 1955. Este ano, 41 fotógrafos de 21 nacionalidades foram premiados nas 8 diferentes categorias. Vejam aqui as restantes fotografias vencedoras na sub-categoria “Histórias” e finalistas que vão estar em exposição itinerante, começando em Amesterdão a partir do dia 16 de Abril de 2016, passando por Portugal entre 28 de Abril e 22 de Maio, no Museu da Electricidade, em Lisboa.

Texto de: André Calado
Editado por: Rita Pinto

Investimos diariamente em artigos como este.
Precisamos do teu investimento para poder continuar.