‘Deadpool’


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Deadpool veio revolucionar o nosso conceito de super-herói e de filmes sobre os mesmos.

Depois do desastroso Fantastic Four e do trânsito de filmes da Marvel a que se juntam invenções da DC Comics (vamos ver como corre Batman vs Superman e Suicide Squad), Deadpool surge como uma pedra caída no charco dos conteúdos repetitivos.

Esqueçam as frases clichês, a tentativa de piada oca e a história forçada e pachorrenta que falha em causar qualquer tipo de empatia junto do público. Este filme é para o tipo de espectador um pouco mais exigente, que não entra na sala para ver o bem ganhar ao mal (mais uma vez) ao som das suas pipocas.

Ryan Reynolds lutou vários anos para que Deadpool fosse realmente uma realidade no cinema. O actor acaba por ser a escolha perfeita para interpretar um mercenário com um sentido de humor sarcástico e habilidades regenerativas de Wolverine (Hugh Jackman é várias vezes tema central de piadas).

Reynolds na pele de Deadpool é também um anti-herói que cria um relacionamento fácil quando quebra a fourth wall e fala directamente com o público. Ora para gozar com o seu fato verde no decepcionante Green Lantern, ora para usar e abusar sem pudor das piadas sobre os mil e um filmes do X-Men que se atropelam uns aos outros na sua própria timeline, Deadpool está lá para nós.

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A isto, junta-se uma narrativa fluída e uma história de amor que no meio de toda uma orquestração de violência e humor negro consegue ser realmente romântica. A sexy Morena Baccarin na pele de Vanessa foge ao estereótipo de típica Barbie de adereço usual em histórias do género, que teimam em sugar qualquer tipo de personalidade a qualquer intérprete. A química entre Ryan e Morena é uma lição aos filmes do género (se é que havia algum parecido).

O até agora meio desconhecido Tim Miller conseguiu perto da perfeição trazer-nos o filme que já merecíamos depois de tantos tiros nos pés dados pelas produtoras que deram carta branca em Deadpool. Em boa altura o fizeram. Estávamos à espera de um herói que desancasse os mauzões (neste caso Ajax – sim, o nome de detergente) e que ainda tivesse tempo para dar conselhos amorosos a Dopinder, o taxista que leva Deadpool ajudado por Colossus e Negasonic Teenage Warhead para a “guerra”.

Deadpool/Ryan Reynolds é feio, porco, mau e nós adoramos que assim seja. Um violento rated-R movie com humor, sexo, nudez e muito sangue. Deadpool refere muitas vezes que não é um “herói”. Ainda bem que não é, desses já estávamos um bocado fartos. O que queríamos mesmo era um mercenário que gosta de ouvir Wham! enquanto faz rolar cabeças ao som de DMX. Sem pudores.

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