‘Mad Max: Fury Road’


Nomeado para 10 Óscares, incluindo o de Melhor Filme e Melhor Realização, Mad Max: Fury Road é um reboot do clássico de George Miller de 1979, na altura com Mel Gibson no principal papel. São aproximadamente duas horas de idealização do realizador finalmente postas em tela. Com os meios financeiros (150 milhões de orçamento, aproximadamente) e técnicos que a Hollywood de hoje pode oferecer, a ideia pós-apocalíptica do realizador australiano ganhou novas asas, rejuvenesceu e reergueu-se triunfalmente noutro clássico.

Sem Mel Gibson de olhar louco e psicótico, Mad Max é agora Tom Hardy. O britânico teve um ano de 2015 em cheio que culminou numa Nomeação para Melhor Actor Secundário em The Revenant, um dos principais favoritos ao Óscar de Melhor Filme. Em preparação para o papel, Hardy teve um encontro desastroso com a ex-estrela da saga – Mel Gibson chegou até a ligar ao agente de Tom para dizer que o actor era completamente louco. Nós achamos que o papel não podia estar melhor entregue. Este novo Mad Max resultou num personagem mais duro, de poucos diálogos e de muita acção. Max chega a certo ponto a passar despercebido nos holofotes da glória e a deixar os mesmos para uma fantástica Charlize Theron (Imperator Furiosa) de cabelo rapado e olhos fatais e fulminantes.

Pelas estradas desertas e numa harmonia completa entre a fantástica direcção de fotografia e efeitos especiais, ao som de uma banda sonora guerreira e visceral (a cargo de Junkie XL) este Mad Max alterna entre momentos de profunda ligação emocional entre os personagens e uma acção contínua. Uma orquestra orientada na perfeição que não dá tempo ao espectador para se acomodar no seu lugar.

Em Mad Max: Fury Road os nossos anti-heróis tentam fugir das garras de Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne), um ditador sem escrúpulos de uma sociedade onde os bens essenciais escasseiam e as mulheres são vistas mais do que nunca como uma propriedade apenas pelo que podem oferecer (filhos e leite). Este é também um filme com as suas metáforas. Os personagens em fuga, ajudados por Nux (Nicholas Hoult), um meio-vivo, passam grande parte do tempo na busca por um local chamado “Green Peace” onde Furiosa nasceu e pretende levar as mulheres que Joe usa para fins de reprodução.

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O novo Mad Max exige que se segurem nos vossos lugares e desfrutem de duas horas sem momentos para descansar. Uma apoteose de momentos de acção alucinantes e efeitos especiais estrondosos que neste cocktail de pura adrenalina de perseguição em estrada resultam num dos melhores filmes do género jamais feitos. Um dos filmes do ano e um clássico instantâneo. A nova versão de Mad Max é o grande favorito a levar para casa a grande maioria das categorias técnicas para a qual está nomeado na cerimónia que tem lugar dia 28 de Fevereiro.

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