Nic von Rupp: o surfista português que decidiu contar as suas aventuras numa websérie


Se gostas do mundo do Surf, certamente já estás mais que habituado a ouvir falar do Nicolau von Rupp. Cresceu com as ondas da Praia Grande, em Sintra, e apaixonou-se pelo desporto em que viria a tornar-se profissional.

Aos 25 anos representa Portugal nos quatro cantos do mundo e, em 2015, fez história ao subir ao pódio ao tornar-se vice campeão Mundial nos ISA Surfing Games na Nicarágua.

O mar é a sua segunda casa e a grande dedicação ao desporto, a constante procura de boas ondas e o seu estilo em cima da prancha são alguns dos factores essenciais para que seja considerado um dos surfistas mais mediáticos da Europa.

Foi precisamente esta corrente de sucessos e proactividade alinhadas às aventuras de um dos melhores “tube-riders” e “big wave riders” do momento que inspiraram a produção da sua própria série My Road Series. “Four Cliffs” é o último episódio da sua série documental e está agora disponível online.

 

Numa entrevista em 2014, dizias que o primeiro contacto com o surf foi através de uma cassete dos Beach Boys, podes contar-nos esse episódio? Que idade tinhas?

É uma memória de criança que tenho bem presente e era essa a música que o meu pai ouvia no carro. Como ele viveu na Califórnia, adorava os Beach Boys e sempre que íamos a caminho da praia ouvíamos o “Surfin’ USA”.

Lembras-te, certamente, da primeira vez que experimentaste surfar. Foi amor à primeira vista?

Sim, completamente à primeira vista, embora eu ja praticasse bodyboard, o difícil foi convencer os meus pais, mas com a ajuda do João Macedo lá conseguimos. 

Os teus pais garantiram que terminasses os estudos, antes de te dedicares completamente ao Surf. Imagino que tenha sido difícil para um adolescente, ter de abdicar de algumas ondas para estudar. Isso deu-te mais resiliência? Hoje agradeces aos teus pais essa exigência?

Sempre consegui coordenar bem as duas obrigações que tinha enquanto estudava e como vivo perto do mar existia uma proximidade que facilitava as idas à praia. Os meus pais foram sempre bem claros quanto a isso e eu sabia que se cumprisse podia depois optar. E foi isso que fiz.

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Acompanhaste o crescimento do Surf em Portugal, hoje o desporto tem muito mais impacto do que antigamente, praticamente nem aparecíamos no mapa do Surf. Como eram esses tempos, já se sonhava com a possibilidade de ser surfista profissional em Portugal?

Não, nem pensar, o surf era um desporto bastante marginal em Portugal e começou a mudar com o Tiago Pires que foi quem nos indicou o caminho e mostrou que era possível ser português e ter destaque internacional.

Hoje em dia, estamos na boca do mundo, muito graças às condições de excepção que temos.

Como profissional de Surf, consegues aliar uma paixão a uma profissão. Dedicas-te inteira e exclusivamente ao surf ou tens outras paixões e hobbies? 

Tenho uma agenda super ocupada, passo o ano a viajar, filmar e a competir por isso o meu foco total é na minha carreira. Vou deixar os hobbies para mais tarde.

Já defrontaste grandes nomes do surf como o Kelly Slater ou o John J. Florence. Todos temos os nossos ídolos, quem são as tuas maiores referências no mundo do Surf? 

As minhas referências são obviamente esses que falaste, mas também a nível nacional o Tiago Pires e o João Macedo.

No “Four Cliffs”, novo episódio do My Road Series, agora disponível online, é possível vermos os bastidores das tuas viagens, as preparações, a tua ansiedade, os medos inerentes à aventura e às ondas espetaculares que apanhas. Já apanhaste algum grande susto dentro de água?

Ja apanhei vários! O último foi no final do ano passado na Nazaré, aquela onda tem dentes afiados. Mas temos que enfrentar os medos e crescer com eles, é tudo uma aprendizagem.

Estiveste na Irlanda, na altura da tempestade Hércules. Foi um momento alto da tua aparição mediática, aquelas ondas estavam incríveis. O que é que se sente quando se surfam ondas daquelas dimensões?

Na altura a adrenalina supera tudo, eu nem estava preparado para aquilo, pois fomos com o intuito de surfar os slabs com condições pesadas, nem dormi nessa noite! De manhã acordámos, fizemos o check normal e dei por mim a descer uma montanha de água gigante, foi impressionante.

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És conhecido como um dos melhores “tube-riders”, ganhaste inclusivamente mais que uma vez o Capítulo Perfeito. O que é que te passa pela cabeça quando estás dentro de um tubo “perfeito”?

É aquela altura em que não me passa mesmo nada pela cabeça, talvez seja como meditar. O instinto toma conta das acções porque é tudo muito rápido e intenso.

Temos uma costa com ondas muito boas. Tens uma onda preferida em Portugal? E no mundo?  

A nossa costa é das melhores do mundo, a sério! Eu passo muito tempo na Ericeira e em Peniche e, obviamente, na Praia Grande que é onde estão as minhas raízes. Lá fora, talvez o Tahiti e o Hawaii sejam os meus destinos preferidos.

O teu ano de 2015 foi extremamente preenchido, quais foram, para ti, os momentos mais altos?

Foi bastante preenchido, começou com a estreia do “One City” no Cinema São Jorge, o 2º lugar no Capítulo Perfeito e depois foi um prazer enorme ser Vice Campeão Mundial nos ISA Surfing Games na Nicarágua levando Portugal ao pódio com o melhor resultado de sempre, fez-se história. Terminar com o “Four Cliffs” no cinema São Jorge foi a cereja no topo do bolo.

Para finalizar, podemos saber quais são teus objectivos a curto prazo e longo prazo? Já tens a agenda de 2016 muito ocupada?

São basicamente os mesmos que 2015, vou continuar a competir e a apanhar swells perfeitos dando continuidade ao My Road Series que vai entrar na 2ª temporada.

Fotos: Carlos Pinto