Paus: quando o amor é ‘Mitra’ e a casa enche o peito


Era perto das 15h30 quando, à porta do 46 da Rua da Bica do Sapato em Santa Apolónia, Lisboa, Joaquim Albergaria nos convidava a entrar no HAUS. Sob as arcadas, por cima da porta, o logo do estúdio denuncia o espaço para os mais desatentos. Extinguiu-se o cigarro. O sorriso por entre a barba oficializa o convite, seguindo-se um aperto de mão. “Foi difícil dar com isto?”, pergunta.

Passamos a porta. Lá dentro, uma escadaria eleva-nos os olhos ao primeiro andar, e um sofá, à direita, convida-nos a sentar. Quim pede-nos uns minutos para que Hélio Morais – já no estúdio – e os restantes Makoto Yagyu e Fábio Jevelim se possam juntar: “O Fábio e o Makoto foram comer qualquer coisa”, explica, enquanto retorna ao gabinete de vidro que serve a entrada do espaço.

Espera-se. No compasso, do lado de lá da janela espelhada para a rua, Pedro Geraldes e André Henriques – metade dos Linda Martini – aproximam-se, acompanhados por uma outra figura. Também eles fazem parte daquela casa. É ali que Sirumba, o novo disco, vai nascer. “Olá, tudo bem?” Sentam-se. Dois naquele sofá vintage, e o terceiro ao lado, enquanto discutem pedais de efeitos e encaixes sonoros.

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Por esta altura o HAUS parece dormente, não ecoam guitarras ou baterias. As vozes e risos vestem a banda sonora do espaço, interrompidos apenas por cigarros que, novamente, se vão acendendo. Entretanto, pelas escadas, o segundo elemento da bateria dos PAUS vai descendo. “Olá, Hélio.” Também ele pede uns minutos, atravessando o pequeno hall até ao aquário de vidro onde estava Quim. Conversam os dois.

“Querem começar já e quando eles [Makoto e Fábio] voltarem juntam-se?” “Querem esperar para ver se eles aparecem entretanto?” “Vamos lá para cima?” – perguntam à vez. Caminham de volta pelo hall, sobre o chão de cimento, onde um tapete de intrincados padrões quebra a crueza. Despedem-se provisoriamente dos restantes três e encaminham-se para as escadas, seguidos de perto.

Ao cimo, uma porta entreaberta aguça a curiosidade. Do outro lado há fios, muitos fios, que atravessam um tapete, e um prato Zildjian que ressalta à vista. Explicam que para lá da porta é um dos estúdios. Seguimos pela direita até uma das régies onde um enorme painel de controlo domina a sala. Há guitarras, pedais, amplificadores, um piano, um sofá e uma janela que, aberta, derrete os olhos com a vista.

Hélio e Quim sentam-se no sofá ao lado da porta.

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Estúdio novo, disco novo. Porquê Mitra?

QUIM: Mitra porque muitas coisas. Este disco foi um momento em que parámos um bocadinho para pensar. Pensar o que é que estávamos a fazer, que música é esta, onde é que está, para onde é que vai, e na verdade não tínhamos uma resposta, tínhamos várias. […] Ou seja, somos rock? Sim, mas não só. Somos electrónica? Sim, mas não só […] Esta ideia do Mitra, de alguém ou alguma coisa que não é do sítio de onde vem nem é do sítio onde está, era uma noção que se aplicava perfeitamente àquilo que os PAUS são. “Mitra mas porquê?” – Óptimo. […] A nossa forma de fazer tudo o que fazemos, quando não sabemos fazer, a gente “mitra” um bocado a coisa. Nenhum de nós teve formação musical […] Foi no “mitranço” de inventar soluções que nós fomos aprendendo a fazer as coisas, portanto, nesse sentido, também somos mitra.

Quanto tempo de estúdio é que tiveram para o fazer?

HÉLIO: 12 dias para o instrumental e para aí uns 15 para as vozes.

QUIM: 15 efectivos, 15 aqui. Ou seja houve muito trabalho fácil, com muitos phones em autocarro, a tentar perceber a coisa. As vozes, principalmente.

Este é um disco algo dividido. Há uma primeira metade que se aproxima do Clarão e a segunda parece-se mais com o PAUS. Concordam?

HÉLIO: Eu diria que há uma música neste disco que podia estar no anterior, a “Mo People”. Ou a “Mancha Negra”, talvez, sim.

QUIM: Há muito de todos os discos, e há um trabalho de depuração neste que não havia nos outros. É a mesma banda, são as mesmas pessoas. Por mais que queiramos sempre fazer diferente, seria impossível reinventarmo-nos por completo a cada disco. É sempre um passo à frente ou um passo ao lado. […] O Clarão desmanchava um bocadinho as possibilidades de dança porque tinha umas assinaturas malucas, e as vozes, a presença das vozes neste disco, é uma grande diferença em relação aos outros. […] Agora, se tem coisas do PAUS, se tem coisas do Clarão e se tem coisas do É Uma Água, sim, claro que sim.

Foi o álbum que mais trabalho vos deu?

QUIM: As vozes sim, mas o álbum todo, se somares a coisa toda…

HÉLIO: O álbum todo, eu acho que o PAUS foi mais, deu bem mais trabalho. O EP [É Uma Água] foi ridículo de fácil.

QUIM: O EP foi tipo… vómito.

HÉLIO: “Aía bora pôr isto!”, “Aía buéda fixe!”, e depois o Ângelo, que é o nosso técnico, mandou-nos f*der porque aquilo está tudo errado. Nós tocamos no bombo ao mesmo tempo – que não podemos hoje em dia – porque anula o som, porque é o mesmo bombo, não há saída de ar.

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“Os PAUS começam como um exercício qualquer de liberdade de experimentação.” – Joaquim Albergaria

Isso quer dizer que ao principio se safavam de forma “mitra”?

[Risos]

HÉLIO: Ainda hoje. “Aía o disco tem que ter quanto tempo? Faz um fade out.”

QUIM: Eu acho que sempre, meu.

Há uma preocupação em contrariar as expectativas do público a cada novo álbum?

QUIM: Acho que não é assim tão consciente a ideia de um público. Se ele existe, é um público mais próximo. A família, os amigos, a comunidade do HAUS, porque nós fazemos música sempre com a presença desta gente toda à volta. A expectativa do público, na verdade, é uma variável da equação, mas os PAUS começam como um exercício qualquer de liberdade de experimentação, tipo: Será que resulta colar duas baterias no mesmo bombo? […] Ou seja, se a cada disco novo houver qualquer coisa de diferente, que não estavas à espera, é uma coisa que estavas à espera. […] Não fazemos para contrariar a expectativa do público, mas sempre para contrariar a possibilidade de irmos para o mesmo sítio.

Depois do PAUS [disco de 2011] vocês trocaram um dos elementos da banda [João “Shela” Pereira por Fábio Jevelim]. Houve alguma adaptação do som?

HÉLIO: Nós nem sentimos que o nosso som tenha mudado assim tanto nesse disco [Clarão, 2014]. O Jevelim toca guitarra, se calhar, em 3 músicas de 10. […] Eu li algumas vezes que nós tínhamos perdido aquelas melodias mais “de viagem”, mas há pessoas não sabem que muitas das vezes quem fazia o baixo era o Shela nos teclados e o Makoto é que fazia as melodias […] Agora, mudou, no sentido em que fizemos um disco [Clarão] em que os sons que escolhemos eram mais duros. Mas não, o Fábio entrou perfeitamente bem. […] Quanto às razões pelas quais o Shela não está connosco, pá, porque não estávamos a sentir a mesma urgência em fazer música os 4.

Sentem que a musicalidade que criam é directamente influenciada pelos vossos outros projectos [Linda Martini/Vicious Five] ?

HÉLIO: É indissociável na medida em que tu, enquanto músico, és também muito do que és enquanto pessoa. Mas em termos práticos e de som, não. Não acho que isto seja sequer uma mescla de tudo o que nós fizemos ou fazemos noutras bandas. A bagagem que nós temos, de saber como estar na música, por tocarmos com outras pessoas, sim. Mas não como influência musical directa.

QUIM: É das tais coisas… Se isso fosse verdade, não tinhas tantas bandas, tinhas só uma. Aquela banda em que cabia toda a música que tu querias fazer. […] Por exemplo, tiras o Hélio de um contexto de Linda Martini e ele continua a ser o mesmo baterista, com os mesmos recursos. A música dos Linda Martini não contamina a dos PAUS nem vice-versa […] O que nós estamos à procura é uma outra coisa completamente qualquer, não é um lado sónico, é um lado rítimico.

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“Nós não somos uma banda com grandes heróis. […] Na minha perspectiva, para sermos mesmo verdadeiros em relação às influências dos PAUS, são os outros 3 PAUS.” – Joaquim Albergaria

O que é que muda com o HAUS? Há uma intenção de ajudar outras bandas?

QUIM: O HAUS já existia antes de haver este espaço, ou seja, o que isto veio fazer foi acelerar a comunicação, aproximar-nos ainda mais e tornar a coisa um bocadinho mais coesa. Agora, se há uma missão de ajudar novas bandas; se elas fizerem sentido e houver uma noção de química como vai acontecendo aqui e ali, ya, definitivamente. […] Nós já vimos gente com espaços fixes na música a cair por isso mesmo, por não saber passar testemunho, por não saber partilhar. Se podes ajudar, dá. Se cabem mais dois à mesa, bora.

HÉLIO: Destas bandas que estamos a falar, eu já vejo o Quim a tocar e partilho palcos com ele desde 1997, o Makoto desde 1998, os Linda desde 1997 também. É pessoal que já se conhece há muito tempo, com um passado muito forte e sempre foi uma cena natural, essa partilha. Fomos crescendo, fomos ficando na música e fomos mantendo esse espirito.

Os PAUS são uma banda de estúdio ou de formato live?

HÉLIO: Enquanto banda, resultamos melhor live. Agora, se perguntares ao Fábio [Jevelim], ele curte muito mais estar em estúdio. Eu acho que o som da banda acaba por ter mais piada ao vivo, sim. Mas há um prazer grande em estar em estúdio.

QUIM: Tens um espectro todo. A cena de veres as canções a acontecer é buéda fixe. E a cada disco, cada vez que fazemos mais uma destas sessões, percebes um bocadinho mais, aprendes mais, queres experimentar outras coisas. Isso é muito desafiante. E agora, com um estúdio nosso, onde há toda uma comunidade à volta – não são só os PAUS que estão aqui – mas são os Linda Martini, os You Can’t Win Charlie Brown, os putos dos Quelle Dead Gazelle, está tudo aqui a acontecer. A partilha é muito maior […] tu percebes que não estás sozinho.

Vocês já passaram por alguns dos festivais mais importantes do circuito nacional e internacional (Primavera Barcelona, SXSW, ATP). O público estrangeiro é diferente do português?

QUIM: Come pior.

[Risos]

HÉLIO: Não – E acrescentava só aí o EUROSONIC, que foi um festival bem mais importante para a nossa carreira do que o SXSW [South by Southwest, Texas, EUA], que é… merda. O SXSW, basicamente, se tu fores uma banda europeia, estás a torrar 10, 12 mil euros para nada. Em muito poucos casos acontece alguma coisa.

QUIM: O único retorno das bandas que lá foram é para o próprio país.

HÉLIO: Tens artistas portugueses que lá foram e souberam usar inteligentemente essa ida. Tanto que já nem isso é um factor distintivo para uma banda: “Fomos ao SXSW”, “Ah, fixe, foram vocês e mais 3 o ano passado”, e assim sucessivamente. O EUROSONIC é um festival que é europeu – portanto os custos são mais reduzidos – e que ainda tem muitos bookers e promotores a ver música.

Foi a maior montra que tiveram?

QUIM: Sim, em termos de eficácia, sim.

HÉLIO: Óbvio que no Primavera Sound [Barcelona] quando lá tocámos da última vez, também tivemos algumas propostas do próprio Primavera. Mas de festival para indústria, se tiverem que gastar dinheiro, invistam no EUROSOUND.

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“Já recusámos algumas participações por acharmos que não faziam sentido nenhum […] O que nós fazemos ocupa muito espaço, e quando tu és convidado de alguém, tens que encaixar no espaço” – Hélio Morais

Depois das colaborações com Fábio Jevelim, You Can’t Win Charlie Brown [Estamos Juntos, 2012] e Dead Combo, há planos para outras participações no futuro?

HÉLIO: Na verdade já recusámos algumas participações por acharmos que não faziam sentido nenhum. Já nos convidaram para uns dois discos, e pá, não fazia sentido. O que nós fazemos ocupa muito espaço, e quando tu és convidado de alguém, tens que encaixar no espaço desse alguém, não o contrário. Onde quer que nos possamos pôr, vamos sempre roubar espaço.

[Risos]

QUIM: A forma como os papéis sónicos e musicais que cada um de nós tem – o Makoto tem mais responsabilidade do que um baixista normal – ou seja, ele não está só a fazer grooves, está a fazer grooves, texturas, melodias… O som dele tem buéda personalidade. O mesmo é para o trabalho que o Jevelim fazia na guitarra, e o que ele está a fazer agora nas teclas. Os sons não são óbvios, as abordagens e as relações rítmicas e melódicas são de assinatura, quase. Há uma ideia de personalidade muito grande em todos os instrumentos que estão aqui. Percebo que é fácil pensar: “Aía, uma bateria a PAUS aqui” […] mas nunca nos passou pela cabeça isso.

HÉLIO: Não, o mais fácil é não nos convidarem, mesmo. [Risos] Vamos ter que pensar nisso porque respeitamos as pessoas e ficamos lisonjeados, mas depois ficamos sempre frustrados porque achamos que não conseguimos contribuir de uma forma fixe, então, mais vale não o fazer.

Mas hipoteticamente, há alguma banda com a qual faria sentido isso acontecer?

QUIM: Se a banda tiver bateria, à partida, acabou aí. Há mais probabilidade de haver uma aproximação ao universo Hip Hop, sem banda. Um MC ou uma coisa assim. E teria que ser um rapper com bastante personalidade e bastante força para defender o seu espaço num tema musicado por PAUS.

HÉLIO: Mais uma vez, seríamos nós a fazer o beat e ele a rimar por cima.

QUIM: Talvez pelo universo de possibilidades ser pequenino, não pensamos nisso, […] não vamos procurar fait divers ou coisas que na verdade resultam melhor em termos de promoção, mais do que em termos de produção.

Tendo em conta as vossas características sonoras, acham que os PAUS são uma banda de nicho?

QUIM: Sim, somos um nicho de 4, definitivamente. Se a bitola for “o que é que estes três gajos acham daquilo que eu estou a fazer…”

Hélio: E ainda não chegámos a disco de ouro, sequer, portanto sim.

[Risos]

QUIM: Se olhares para as vendas, definitivamente. Se olhares para a quantidade de merchandising que vendemos, definitivamente.

HÉLIO: Se fores a avaliar pelos festivais, sim, fazemos festivais grandes. Mas também fazemos muitos clubes, especialmente no centro da Europa, por isso… Hoje em dia acho que há muito poucas bandas que não tenham mais de 15 ou 20 anos e que não sejam de nicho.

QUIM: Bora ser buéda honestos: qualquer banda portuguesa é uma banda de nicho. […] Há muito poucos artistas que não são comunicados como “não sei quantos de Portugal”. […] Para bem ou para mal isso funciona, há muitos artistas a trabalhar a ideia de nicho. […] Quando tu deixas de ser nicho e és de todos, a tua identidade, se calhar, tem que se dissipar e diluir um bocadinho mais. E eu acho que os PAUS não têm esse lado universal…

Ainda não têm ou não têm de todo?

QUIM: Não sei meu. Se calhar já têm e achamos que é uma coisa só nossa. […] Não te sei responder a isso. Se for instintivamente digo que ya, somos uma coisa de nicho porque fazemos, em primeiro lugar, música para falarmos entre os 4. Depois, um tipo de música para estarmos ao vivo, a criar um momento com as pessoas que estão a assistir. E depois, nunca com o objectivo de “Aía, bora fazer esta música para toda a gente ouvir e toda a gente se identificar”. Sim, somos uma banda de nicho, não, não temos uma preocupação de fazer música universal. Se bem que, se calhar, até fazemos.

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A preparar o estúdio para iniciar a gravação, Makoto Yagyu “assalta” a sala. À porta, perto do sofá, Fábio Jevelim vai assistindo.

 

A gravação de novo material é uma urgência da banda ou, de alguma forma, existe pressão por parte da editora?

HÉLIO: Vamos ser claros – PAUS não é uma banda que vai fazer uma editora enriquecer.

QUIM: [Risos] Pelo contrário, até.

HÉLIO: Em todas as editoras grandes tens produtos, bandas estandarte, bandas que pagam contas, e as editoras que realmente se importam com música, também, gostam de ter o outro lado, que é o da credibilidade artística. […] Há uma preocupação das editoras que gostam de música em ter outro tipo de bandas.

QUIM: O trabalho de uma editora a sério é não só fazer chegar às pessoas a música que elas querem ouvir, como educar as pessoas para a música que elas não sabem ainda que querem ouvir. Uma boa editora, que não evolui com as pessoas, à partida está condenada a acabar.

HÉLIO: […] Do ponto de vista de uma editora, interessa não só ter artistas que vendam muito, como artistas de quem se fala muito.

E em relação ao streaming, qual é a vossa opinião?

QUIM: Óptimo. Tás ao pé das pessoas, sempre. Se elas quiserem estar ao pé de ti, estão.

HÉLIO: Antigamente tu se calhar propunhas a uma editora “Bora disponibilizar o álbum” e depois ouvias “‘Tás a brincar comigo? As pessoas depois não vão comprar o disco”, hoje em dia tu não tens como fugir disso, portanto é normal as pessoas poderem ouvir a música. Isso é fixe meu. Essa história de “poder ouvir a música de borla” – óbvio que se perde uma fatia grande, por um lado, por outro lado as editoras percebem isso e fazem acordos com os artistas. […] Isto é daquelas merdas que tu podes falar de cor e dizeres o que achas, mas eu não tenho números para sustentar isto.

É mais difícil viver da música hoje do que há 10 anos?

HÉLIO: Eu tenho bastantes amigos músicos dos 90 que conseguiram comprar casas e coisas assim. Eu tenho uma casa alugada no centro de Lisboa e ando de bicicleta. [Risos]

QUIM: Eu consigo dizer, com alguma tranquilidade, que nestes anos todos de música consegui reunir bastantes dívidas [Risos]. Não, não assim muitas, mas tenho encargos.

HÉLIO: Pá não consegues viver só de uma banda, a não ser que seja gigante, mesmo. Ou se fizeres isto a nome individual. […] Agora uma banda que componha, como os PAUS ou Linda, que são 4 co-compositores e co-autores, é tudo a repartir por 4, portanto não é fácil sobreviveres só de uma banda… Por isso é que eu tenho duas! [Risos]

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“A minha ideia ideal de PAUS é fazer uns 15 concertos por ano em Portugal, fazer uma tour de um mês na Europa e depois fazer uns fly-ins.” – Hélio Morais

Última pergunta. Quais são os grandes objectivos a curto e longo prazo para a banda e para vocês?

HÉLIO: Eu curtia ver a banda num ponto tal que conseguisse pagar uma renda em Lisboa, daqui a 5 anos, porque está a ficar impossível. A minha ideia ideal de PAUS é fazer uns 15 concertos por ano em Portugal, em sítios fixes, fazer uma tour de um mês, por ano, na Europa, e depois fazer uns fly-ins a festivais fixes na Europa. Curtia ir ao Japão, por causa do Mokoto. E à Austrália para perceber a cena dos lagartos que matam. Não temos grandes planos, a verdade é esta. [risos] E continuar a tocar.

QUIM: Seria óptimo que aquilo que fazemos por casmurrice e porque queremos, nos pagasse totalmente as contas, mas não é por isso que vamos deixar de ficar entusiasmados com o que quer que seja.

HÉLIO: Eu curtia voltar a Itália, que o meu parmigiano acabou e é buéda fixe aquele que comprámos lá.

QUIM: Tu ainda tinhas parmigiano de Itália?!

HÉLIO: Não, já não tinha, por isso é que curtia voltar. – Pá mas é isso, nós curtimos estar juntos e é fixe quando vais tocar.

 

A conversa prolonga-se. O assunto passa agora para a dúvida entre fly-ins ou tour de semanas em carrinha. Hélio e Quim optam pela tour de carrinha enquanto que Makoto, indeciso, arranca os últimos sorrisos à sala com a opção: Primeiro o avião, e depois, quase de imediato, a carrinha.

Soa uma melodia improvisada por Hélio Morais num pequeno órgão, à direita do sofá, que serve a banda sonora do momento. O grupo avança até ao estúdio, do lado de lá da porta onde os fios e o tapete e o prato dourado se escondiam. É a despedida daquela casa. Uma casa plantada sobre o embalar das gaivotas e das locomotivas. A casa que os PAUS vão deixar no dia 12, para dar a conhecer o novo álbum. E para continuar a alimentar a devoção de quem os traz ao peito.

Mitra já está disponível através do Spotify.

Fotos de: Diogo Oliveira/Shifter