Sabes o que é o “DuVernay Test”? Pista: está relacionado com a polémica ‪#‎OscarSoWhite‬


Em plena época alta para o cinema, esta temporada pré-Óscares parece estar a ser mais marcada pela polémica sobre a diversidade racial na indústria cinematográfica do que propriamente pelos filmes em si. Desde que foram anunciados os nomeados aos Óscares que o escândalo se instalou quando várias figuras importantes da comunidade negra (e não só) vieram a público criticar a falta de actores e realizadores negros candidatos aos prémios, algo que acontece pelo segundo ano consecutivo.

Graças a uma jornalista crítica de filmes do The New York Times, esta temática ultrapassou a Academia e ganhou agora nova propulsão. Tudo porque Manohla Dargis considerou que esta edição do Sundance Film Festival “continua a remar contra a maré do mainstream” graças a algumas das suas escolhas em termos de prémios e critérios de selecção.

Dargis estava, por outras palavras, a referir-se a The Birth Of a Nation. O primeiro filme realizado por Nate Parker foi a grande sensação do Sundance ao levar para casa o Grand Jury Prize e ao ter vendido os seus direitos de distribuição por um valor recorde no festival.

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Manohla Dargis referiu ainda que o festival devia optar por um sistema semelhante ao Bechdel Test mas direccionado para a diversidade racial nos filmes. O Bechdel Test não é na realidade um “teste” mas ficou conhecido quando, em 1985, o cartoonista Alison Bechdel fez uma comic chamada “Dykes to Watch Out For” que criticava a falta de mulheres no “grande ecrã”.

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Manohla usou então o Bechdel Test como referência e lançou a ideia de se criar o DuVernay Test para analisar a diversidade racial nos filmes e, mais concretamente, para que os filmes passassem a ter maior presença de afro-americanos e de outras minorias a interpretar papéis de relevo e não servissem apenas para figuração.

Para preencher os critérios do Bechdel Test um filme tem de:

  • Ter duas mulheres;
  • Têm de falar uma com a outra;
  • Têm de falar sobre algo que não um homem;

Não sendo um “sistema” perfeito foi criado para trazer maior diversidade numa altura em que o cinema se baseava muito na figura masculina no papel principal sem grande espaço para as mulheres aparecerem sem ser na sua sombra.

Mas então, porquê o nome, DuVernay Test? Porque, basicamente, Ava DuVernay tem sido das figuras que mais tem feito pela igualdade dentro indústria cinematográfica. Ava é voz activa puxando por diversas vezes o assunto em público mas não se tem pautado só pelas palavras. Ava foi, de entre outros projectos, a realizadora de Selma, candidato ao Óscar de Melhor Filme em 2015 que aborda a marcha pelo direito da igualdade de votos levada a cabo por Martin Luther King em 1985 e prepara-se agora para realizar “Queen Sugar”, uma série a estrear no canal de Oprah Winfrey cuja realização vai ser integralmente composta por uma equipa de mulheres.

A própria Ava DuVernay parece ter adorado a ideia de Dargis. Falta saber se a indústria cinematográfica (e o público) também gostaram.