A campanha da Persil que põe o dedo na ferida e compara crianças com reclusos


Quando há alguns anos ouvimos a Skip dizer pela primeira vez “É bom sujar-se” percebemos que a habitual comunicação tradicional deste tipo de produtos atravessava uma fase de mudança. Depois de todos os clássicos baseados na promessa final ao consumidor como o “Branco mais branco não há”, as marcas voltaram-se para uma comunicação centrada num estilo de vida mais despreocupado.

Shit happens mas há vida para além das preocupações com o aspecto e a limpeza do que vestimos. O “Dirt is Good” da Persil UK, marca-mãe da Unilever neste segmento de mercado do Reino Unido, segue o caminho traçado e apresenta-nos agora um insight que merece toda a nossa atenção.

Este “Free the kids” esquece as fórmulas químicas de limpeza e vira-se para um problema mais profundo. Agora que as marcas comunicam e promovem o seu produto através de um estilo de vida, é precisamente no estilo de vida da maioria das crianças que identificam uma lacuna importante. Depois de questionarem mais de 12000 pais de crianças com idades entre os 5 e os 12 anos, em 10 países diferentes, a Persil, através da Edelman Intelligence, comprovou que 1 em cada 3 crianças passa menos de 30 minutos por dia a praticar qualquer tipo de actividade na rua. Para além disso, num dia normal, 1 em cada 5 crianças não passa absolutamente tempo nenhum a brincar fora de casa.

Confrontados com esta realidade, a agência criativa MullenLowe de Londres resolveu perceber o impacto disso mesmo numa das facções da sociedade que mais valoriza a liberdade. Os reclusos da Wabash Valley Correctional Facility, no estado de Indiana (EUA), que dispõem de 2 horas diárias para usufruir dos espaços ao ar livre que existem nas instalações da prisão, mostram o quão ridículo lhes parece este isolamento das crianças. Seja por imposição dos pais, porque se dedicam demasiado às novas tecnologias ou por qualquer outro motivo, a verdade é que este é um comportamento que compromete o crescimento e o desenvolvimento da maioria das crianças, sendo a parte mais negativa de um estilo de vida cada vez mais computadorizado.

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James Hayhurst, o Global Equity Director da Persil/Omo diz ter ficado “chocado quando descobriram que actualmente as crianças passam tão pouco tempo na rua como os reclusos”. Segundo Hayhurst, essa foi o principal razão para a Persil avançar com este “Free the kids”, quando a ideia lhes foi apresentada pela agência. A marca pretende despertar o mundo para este problema e tentar sensibilizar tantos os pais como os responsáveis das escolas para que promovam comportamentos contrários ao que os resultados obtidos acabaram por mostrar, redescobrindo as maravilhas da pratica de actividades lúdicas fora de portas.