Abriu a primeira sala 4DX em Portugal. Uma sala onde tudo vibra e mexe


Foi na passada quarta-feira que foi inaugurada a primeira sala 4DX em Portugal e o Shifter esteve presente para experienciar aquela que é uma nova forma de ver cinema. O GaiaShopping, em Vila Nova de Gaia, foi o cinema escolhido para estrear esta tecnologia numa sala de 80 lugares, com cadeiras que requerem mais espaço entre elas do que salas normais (não sentimos que estamos colados à pessoa do lado), e um ecrã mais reduzido que o habitual, onde oferece uma experiência audiovisual sem precedentes, com efeitos e sensações sincronizados com o filme.

É uma tecnologia multidimensional que desperta os 5 sentidos de forma incomparável, tornando-se numa experiência de cinema totalmente imersiva. Entre as várias características desta sala, poderão contar com:

Movimento – as cadeiras mexem em todas as direcções em reacção ao que é mostrado no ecrã.
Água – salpicos de água filtrada para uma experiência realística do filme.
Vento – um sistema de vento instalado nas cadeiras, sopra ar no seu pescoço.
Cheiro – até 20 aromas diferentes de cada cena que vê no ecrã.
Luz – simulações de relâmpagos no tecto, recorrendo a efeitos especiais de luz.

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Cada experiência será diferente de filme para filme mas uma coisa é certa: podem contar com muita acção e tensão durante a projecção das obras escolhidas. Não é por acaso que o filme de estreia foi o Batman v Superman: Dawn of Justice. Apesar de falhar redondamente a nível narrativo, não faltam explosões, planos aéreos alucinantes, coreografias incríveis e electrizantes, aquilo que realmente faz sentido numa aventura por esta sala.

E muitos blockbusters se seguirão, como é o caso de 10 Cloverfield Lane (o próximo filme que estreia a 7 de abril), Captain America: Civil War ou o Star Trek Beyond. Tivemos a oportunidade de assistir ao trailer deste último (juntamente com dois videos experimentais) e percebemos desde logo o potencial desta tecnologia e o que ainda pode evoluir no futuro. Adrenalina pura onde não paramos um segundo.

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Mário Augusto, jornalista da RTP especializado na área de cinema (e que por acaso fazia anos nesse dia), abriu as hostes numa cerimónia de inauguração com uma plateia quase cheia, maioritariamente composta por organização, jornalistas, bloggers, youtubers e outros convidados. O evento que antecedeu a visualização da obra foi curto e serviu para percebermos melhor como funcionou esta parceria entre a NOS, a Sonae Sierra e a CJ 4Dplex, empresa coreana que criou a tecnologia 4DX e que actualmente já está presente em 228 cinemas de 37 países de todo o mundo.

Luís Mota, administrador da NOS Cinemas, explicou de forma sucinta o que poderíamos esperar desta experiência, fez referência à necessidade de remodelação do auditório e anunciou que será inaugurada em breve uma sala idêntica em Lisboa, mostrando de seguida um video com uma breve apresentação e discurso de boas-vindas de Byung Hwan, CEO da CJ 4Dplex. Ainda tivemos tempo de ouvir uma das responsáveis da Sonae Sierra, bem como o Presidente da Câmera de Gaia, Eduardo Victor Rodrigues, que disse esperar que esta sala seja uma forma de trazer mais crianças e jovens ao cinema.

Começa então o real motivo para estarmos ali naquela noite: perceber o que podemos sentir numa forma de ver cinema que nunca experimentámos. E o resultado até foi bastante interessante, apesar de alguma relutância inicial após nos depararmos com uma fotografia demasiado escura na tentativa de criar um clima tenso e sombrio, mas que na verdade só atrapalhava num 3D por vezes cansativo e que ainda tem muito para evoluir (por alguma razão as pessoas continuam a preferir o formato normal).

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Com o decorrer do filme (e já mais habituados), começamos a sentir-nos mais integrados e imersos na experiência, sobretudo quando começam as cenas mais intensas de acção, naquilo que é o ponto forte do Batman v Superman: Dawn of Justice. De repente parece que entramos numa montanha russa de explosões sonoras, onde a cadeira onde estamos sentados não para um segundo e toda acção fica mais intensa. Sentimos cada movimento do combate com sequências rapidíssimas de perseguições a alta velocidade, bem como rajadas de vento sobre a nossa cabeça, relâmpagos que abrilhantam a sala e alguns salpicos de água que nos refrescam (mas não nos molham) deste exercício intenso. Os aromas foram o ponto menos positivo desta experiência, que mal se sentiram e, quando se sentiam, não associávamos de forma convincente ao que estava representado no grande ecrã.

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Qualidade do filme à parte, no final saímos satisfeitos com a experiência. Há muito por onde melhorar e certamente haverão no futuro outros filmes cuja a experiência seja ainda mais imersiva. E passa por aí o grande desafio da indústria no desenvolvimento dos grandes blockbusters: pensarem numa solução integrada em que o mesmo filme esteja pensado para o mercado tradicional (2D ou IMAX) e, ao mesmo tempo, faça valer uma ida ao cinema 4DX, uma fonte sensorial pura e dura.

Depois do IMAX, temos aqui uma nova e diferente alternativa que pode agarrar muitos espectadores. Mas atenção. Esta experiência não é claramente para todos os amantes de cinema. De facto, por diversas vezes, parece que estamos dentro de parque temático, onde quase que saltamos de uma cadeira em constante movimento. Para quem gosta de estar plenamente confortável, não veio ao sítio certo. Quase que saímos doridos de tanto turbilhão de safanões para um lado e para outro, cheio de travagens bruscas, mas é uma experiência que certamente vale a pena com o filme certo.

Fotos de: André Calado/Shifter