Astronauta regressa da mais longa missão no Espaço… com mais 5 cm


 
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O Comandante Scott Kelly e o astronauta russo Mikhail Kornienko aterraram no dia 1 de Março em Terra firme, após 340 dias na Estação Espacial Internacional (EII), uma missão que, pela sua duração, recebe o prémio pela mais longa permanência de um ser humano fora do nosso planeta.

Durante quase um ano os dois astronautas moraram na EII, cultivando as primeiras plantas fora do planeta Terra e presenteando-nos com magníficas fotografias do nosso planeta. O principal objectivo da missão consistia em estudar as alterações fisiológicas provocadas pela exposição a ambientes de gravidade zero durante períodos de tempo prolongados, numa tentativa de prever uma viagem até Marte que, a ocorrer, demorará cerca de um ano.

Sabe-se que a permanência em ambientes com gravidade inferior à da Terra provoca a diminuição de massa muscular e densidade óssea, pela diminuição de força sobre os componentes do nosso sistema locomotor. Mas a coisa mais notória quando o astronauta americano aterrou no Cazaquistão, foi o facto de este vir mais alto.

Durante um ano, Scott Kelly de 52 anos, relembrou os seus tempos de adolescência e voltou a crescer, aumentando exactamente 5,08 cm. Um fenómeno interessante e que, de certa forma, era até previsível pelos médicos da NASA. A gravidade exerce um efeito compressor sobre as nossas vértebras, que se encontram separadas pelos discos intervertebrais, uma estrutura fibrocartilagínea de colagénio e água que actua como que uma almofada entre as vértebras. Daí que quando acordamos pela manhã sejamos um pouco mais altos do que ao fim de um dia de trabalho, pelo efeito que a gravidade vai tendo em comprimir os discos intervertebrais.

human spine

[a azul os discos intervertebrais, que absorvem o impacto entre as vértebras]

E assim, ao fim de um ano, Scott Kelly cresceu 5 cm, crescimento esse que deverá desvanecer-se após a permanência em Terra e o reencontro com a gravidade a que estamos habituados.

Com o astronauta finalmente em casa, irão ser estudadas eventuais alterações que tenham ocorrido em outros sistemas como a visão, os ossos e o sistema nervoso, com o intuito de perceber melhor os efeitos da microgravidade sobre a fisiologia humana. Nestes testes o irmão gémeo de Kelly, que ficou em casa todo este tempo, será um elemento importante no estudo comparativo entre ambos.

Antes de regressar a Terra, Kelly juntou mais umas incríveis fotografias ao seu recheado álbum que foi reunindo ao longo dos 340 dias a bordo da Estação Espacial Internacional.

Se não conseguirmos aumentar o número de patronos, a 2ª edição da revista será a última, e o Shifter como o conheces terminará no final de Dezembro. O teu apoio é fundamental!