E se saber as notícias fosse como falar com um amigo?


As apps dos media portugueses são, regra geral, desinteressantes, uma vez que não passam de simples adaptações dos respectivos sites – veja-se os exemplos do Público ou do Observador. Contudo, lá fora estão a aparecer ideias muito boas. O Hyper, de que vos falámos recentemente, é uma revista diária com 6-12 dos melhores vídeos de publicações como o The Guardian, a Vice ou a Wired.

O Hyper pertence ao Mic, um media direccionado para a geração millennial, que tem uma outra app muito interessente. Chama-se MicCheck e basicamente é um feed com as notícias que não podemos perder; reúne artigos do Mic, mas também de outras publicações. Esta abordagem nada egocêntrica é igual à adoptada pelo Huffington Post no seu Realtime, uma app que, de forma actualizada, diz o que está a acontecer dentro dos tópicos que nos interessam.

Já o BuzzFeed News tem uma app que é uma espécie de jornal para o século XXI, permitindo-nos saber o que se passa no mundo através de pequenos resumos. A explorar também está a app NYT Now, que diariamente reúne as principais histórias do New York Times, ou o This AM, uma proposta do site Refinery29 que todas as manhãs nos dá as 8 coisas que temos de saber.

No meio de tanta inovação, permanecem as ideias tradicionais. O The Guardian, o próprio New York Times, o BuzzFeed, o Huffington Post ou a BBC News têm todos apps que replicam o conteúdo do site, mas que procuram oferecer uma experiência mais fluída e nativa.

De uma forma ou de outra, as apps de notícias que existem baseiam-se num feed – o utilizador navega e clica no que quer ler ou ver. Mas o Quartz diz-nos que não tem de ser assim. A sua app foi lançada há poucas semanas para iPhone e oferece uma experiência muito simples, baseada na troca de mensagens instantâneas. O Quartz envia ao leitor excertos muito curtos de uma notícia e o leitor responde com palavras-chave, caso queira saber mais ou saltar para o próximo assunto.

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O Quartz é um dos media, que juntamente com o Vox, tem vindo a definir o consumo de informação no nosso tempo. Maioritariamente de âmbito económico e financeiro, o Quartz consegue descomplicar os assuntos e fazer artigos que qualquer pessoa com uma boa base de formação consiga entender. Os gráficos que produz e que disponibiliza no seu minisite Atlas ajudam à compreensão.

Usar app do Quartz é como conversar com um amigo. É como trocar SMS ou WhatsApps. A aplicação não tem qualquer feed com links, fotos ou vídeos. Ao invés disso, parece mesmo um serviço de mensagens, com bolhas de texto, emojis, fotos, GIFs e gráficos. E tal como no WhatsApp, se fizermos scroll up, podemos ver o nosso histórico de conversas.

Cada sessão na app do Quartz dura apenas alguns minutos, pelo que o leitor pode usá-la no comboio, no elevador, na fila do supermercado ou em qualquer outra altura em que está disposto a saber as notícias. É possível activar notificações push para ser alertado de notícias “mesmo, mesmo grandes”, de assuntos interessantes uma ou duas vezes por dia e das agitações dos mercados.

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“Deixamos de lado as noções existentes sobre apps de notícias e imaginámos como seria o nosso jornalismo se vivesse nativamente no iPhone. Não seria uma réplica do nosso website. Seria algo totalmente diferente, com a escrita original, novas funcionalidades e uma interface fresca”, escreve o Quartz.

E como é que a app funciona mesmo? “A interface da app pode assemelhar-se a um assistente automatizado, mas aqui está o segredo sobre o nosso pequeno robô de notícias: na verdade, é tudo escrito por seres humanos!”, explica. “Jornalistas inteligentes que querem mantê-lo informado e entretido. Reunimos um grupo global de escritores e editores do Quartz, liderado por Adam Pasick, para dar voz à app.” 

A app do Quartz está disponível apenas para iOS e é monetizada com publicidade.

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Actualização – Dia 9/12/2016:

Agora também disponível para Android na Google Play Store.