Métodos contraceptivos facilitam escravatura sexual no Daesh


Na Síria e no Iraque, o Daesh está a obrigar mulheres, vítimas de escravatura sexual, a recorrerem a métodos contraceptivos para garantir a sua captura e violação sob os antigos “costumes medievais”.

Trata-de uma solução “particularmente moderna” para dar resposta a uma prática “medieval”, há muito enraizada na cultura islâmica. Segundo várias leis, o homem deve assegurar que a sua escrava sexual não engravida antes de terem relações.

De acordo com o New York Times, esta é uma forma de manter o “comércio do sexo” activo. Os militares do ISIS têm forçado, de forma agressiva”, as vítimas a recorrerem a métodos contraceptivos para que possam “continuar os abusos enquanto as mulheres são partilhadas e alternadas entre eles”.

As mais de trinta mulheres do grupo étnico Yazidi que escaparam do auto-proclamado Estado Islâmico  divulgaram os contraceptivos utilizados para evitar a gravidez que incluíam métodos orais, injectáveis e, por vezes, ambos. “Quando estavam prestes a ser vendidas, eram levadas para um hospital para fazerem testes de urina” para descartar a possibilidade de gravidez. As vítimas “aguardavam os resultados com apreensão: um resultado positivo significava que estavam a carregar uma criança de um agressor e um teste negativo permitia que continuassem a ser abusadas.”

O uso metódico de anticoncepcionais explica os números observados até agora: das mais de 700 mulheres violadas no seio do Daesh tratadas numa clínica das Nações Unidas no norte do Iraque, apenas 35 engravidaram. Nezar Ismet Taib, chefe do Ministério da Saúde em Dohuk, contou ao jornal, que estavam à espera de algo “com proporções muito maiores.”

Os números não deixam de ser chocantes. Segundo a BBC, em 2014, cerca de 3500 mulheres foram escravizadas pelo grupo terrorista. Muitas têm conseguido escapar e encontram-se a viver em comunidades, a longas horas de distância das suas antigas e verdadeiras casas.

O tráfico de mulheres para escravatura sexual nos territórios da Síria e do Iraque é uma das práticas mais conhecidas e documentadas pelo mundo. Em Dezembro foi revelada uma lista com algumas das regras religiosas sobre as sistemáticas violações, incluindo a proibição de relações sexuais com mulheres menstruadas e a sua partilha com familiares directos. Para os militantes do Daesh é permitido e “completamente legal” que os homens abusem das suas escravas “em qualquer circunstância.” A proibição de violar uma mulher grávida é a única protecção para as vítimas capturadas.