O que há de errado nos Óscares?


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Ao fim de semanas de especulação e alguma controvérsia, os Óscares de 2016 foram entregues. A discussão em torno do possível vencedor de cada categoria ficou encerrada com a entrega das estatuetas douradas, mas a controvérsia fará sempre parte daquela que é a maior gala de prémios de Hollywood.

Por esse motivo, depois de sabermos quem venceu cada uma das categorias, vale a pena prestarmos atenção a alguns dos olhares mais críticos da cerimónia promovida anualmente pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Poucos dias antes da cerimónia de Hollywood, o vídeo “Everything Wrong with the Oscars”, produzido pelo canal do YouTube Brand Sins, encarregou-se de nos recordar que ser nomeado ou galardoado nesta cerimónia e ficar na história do cinema não são duas coisas necessariamente coincidentes. Fá-lo enumerando alguns títulos que nunca foram sequer nomeados, como Rear Window, 2001: A Space Odyssey ou Singin’in in the Rain. Filmes aos quais dificilmente escapamos, por exemplo, num ciclo dedicado a clássicos da sétima arte. Mas chama também a atenção para o grande papel do lobby nas escolha dos candidatos, em detrimento do conteúdo ou do talento.

No mesmo sentido, mas focando-se em categorias específicas, vão as críticas feitas por Leigh Singer no seu canal do Vimeo. Através do vídeo “For Your Consideration / Fraud Your Category: How to Game the Acting Oscars”, Singer mostra-nos como as regras da Academia de Hollywood são contornadas no momento das nomeações para as categorias de representação. Um vazio no regulamento do prémio incentiva as produtoras cinematográficas a gerir a designação dos papéis de atores principais e atores secundários, independentemente do sua real relevância no filme, de maneira a aumentar as suas hipóteses de ganhar.

A cerimónia deste ano foi sobretudo marcada por exigências de igualdade de oportunidade, nomeadamente pela comunidade afro-americana que reagiu ao leque de nomeações dominantemente branco. No entanto, a gala mais célebre de Hollywood nunca deixou de ser alvo de críticas ao seu funcionamento e provavelmente nunca conseguirá agradar a todos ao mesmo tempo.

Texto de: Telmo Mendes Leal
Editado por: Mário Rui André

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