Os Youthless editaram o seu primeiro álbum e agora vão apresentá-lo pelo país


Abriram para nomes como The Horrors, Crystal Castles ou John Maus. Receberam elogios da BBC1, NME, Drowned in Sound e Irish Times. Cativaram a atenção de Metronomy, Tiga e D/R/U/G/S, mas uma lesão travou-lhes a ida ao festival Eurosonic e atirou-os para uma pausa indefinida. Afinal, quem são os Youthless?

A concepção é estranha, as músicas são ásperas, as letras são directas e as actuações hipnóticas. Há poucas bandas que condensam a combinação corporal dos Youthless, uma figura de duas cabeças – composta pelo britânico Sebastiano “Seb” Ferranti [baixo e voz] e pelo norte americano Alex Klimovitsky [bateria, sintetizador, voz] – que se alimenta de ritmo e que há muito confessou a paixão por Lisboa.

Os Youthless são, por isso, um produto único. Uma fusão de texturas sonoras, arrancadas suavemente às crenças e experiências quotidianas dos dois integrantes. Há em cada faixa uma honestidade latente, e em cada actuação ao vivo uma espécie de linguagem secreta a que nem todos conseguem aceder.

Em parte porque a ideia comum de um duo em palco não lhes é aplicável. E isto deve-se ao preenchimento sonoro que Alex e Seb conseguem obter apenas com três instrumentos – quatro, se contarmos a voz – e à actuação quase sempre burlesca, tornando cada concerto num local de devoção a duas entidades: à música propriamente dita, e à energia que a veste.

Contudo, se olharmos para o percurso musical do duo, percebemos uma linha irregular. Apesar dos pedaços incontornáveis de música como “Good Hunters“, “The Beasts” “Monsta” ou “La Moustache” – faixas que em 2013 garantiam aos Youthless o rótulo de um dos mais promissores projectos musicais a acontecer em Portugal – a banda não conseguiu o arranque.

E a causa foi a lesão muscular de Alex Klimovitsky, numa altura em que o LP estava a ganhar os primeiros contornos, facto que acabou por comprometer o salto inevitável para o grande público, atirando os Youthless para uma paragem forçada.

É por esta altura que começa a ser pensado o novo disco. Em fase de recuperação, Alex inicia o processo de escrita, orientando-o num sentido semi-biográfico, descritivo da situação do duo à data, que acaba por se enquadrar no conceito inicial do trabalho: a forma como o velho mundo se desintegrou, o caminho em direcção ao incerto, pesadelos, esperança de ascensão e a constante obsessão pelo passado e pelo futuro.

E é também aqui que surgem algumas vontades paralelas como aconteceu em “MOSCA“, a faixa do projecto português Pernas de Alicate [Carlos BB António / Sara Feio] a que Alex emprestou a voz e onde se juntaram nomes como Miguel Nicolau [Memória de Peixe], Duarte Ornelas [Duro] e Xico Fernandes. Ou mesmo nas participações com os Octa Push, de onde se destaca “Françoise Hardy“.

Com o processo de recuperação bem encaminhado, This Glorious no Age volta a ser uma realidade. Aos conceitos gerais previamente determinados, junta-se um outro, mais concreto, baseado nas teorias do pensador canadiano Marshall McLuhan acerca da descoberta da electricidade e da forma como essa nos impactou.

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Os Youthless percorrem depois uma longa estrada. Saltam entre estúdios caseiros, caves e sótãos de músicos, com  participações pelo meio. O LP vai sendo construído, devagar, até que surge o primeiro single. “Golden Spoon“, lançado em Novembro do ano passado, é o cartão de entrada no trabalho para quem há muito queria ouvir algo do lado de lá da barricada. E se os dedos se cruzavam para que, depois de tanto tempo, a identidade se mantivesse, o esforço compensou.

A faixa é Youthless, a identidade está lá. A bateria e o baixo que amparam a voz. Alex Klimovitsky descreve-a como “uma canção de contentamento apocalíptico, sobre o sentimento de alegria e excitação de viver num mundo insano em decadência acelerada”, explicando ainda que a faixa “fala sobre apreciar sem medos uma viagem de montanha-russa, o descer a pique e o voltar a subir. Um adeus a uma Era no seu ocaso, a estruturas quebradas e velhas ferramentas, e a mapas que já se esgotaram na estrada”.

Segue-se o segundo single, “Attention”. Uma música forte, abrasiva, vestida por uma letra que traduz expectativa para algo que está para chegar. A faixa remete-nos de imediato para a génese noisey da banda, transportando qualquer ouvido habituado aos Youthless para um jardim confuso e fantástico de saudade e gratidão.

Elogiada pelas Line of Best Fit e Clash Magazine, também o vídeo de “Attention” recebeu críticas positivas. Realizado, filmado e editado por Marco Espírito Santo, o clipe apresenta-se como um falso documentário,  contendo uma série de entrevistas feitas em Portugal.

O terceiro single foi apresentado dia 2 deste mês. “High Places”, homónima do duo norte americano de Brooklin, é um desvio melódico e suavizante daquilo a que Seb e Alex têm habituado o público. Voz, cordas orgulhosas e uma bateria bastante mais tímida servem a música que foi inspirada numa caminhada pelo Gerês. O vídeo, a cargo de Brenda Roberts [Synchroma], contou ainda com contribuições de Sofia Schiza e vai agora integrar festivais de cinema de curtas tanto na Europa como nos Estado Unidos.

Com carimbo português da nosdiscos.pt e da Club.the.mamoth / Kartel em Inglaterra, This Glorious no Age, editado no passado dia 7 deste mês, sucede a Telemachy, o EP oficial de 2009, e pode finalmente revelar-se como o trabalho de afirmação. O disco contou com a mão de Justin Garrish [Vampire Weekend, The Strokes] e foi gravado por Chris Common, Pedro Cruz e a própria banda, entre Lisboa, Sintra e Cascais.

Agora, o álbum vai finalmente conhecer a estrada numa série de datas em Portugal e Espanha. A primeira é amanhã, no Musicbox, em Lisboa, seguindo-se o Maus Hábitos, no Porto, dia 12. A apresentação do trabalho contará com a presença de vários convidados e amigos como Jibóia, Octa Push, Francisco Ferreira [Capitão Fausto, Bispo] ou João “Shela” Pereira [Riding Pânico, LAmA] – os dois últimos farão parte integral da tour.

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Próximas datas de apresentação de This Glorious no Age

  • 11 de Março, Musicbox, Lisboa
  • 12 de Março, Maus Hábitos, Porto
  • 18 de Março, Texas Bar, Leiria
  • 19 de Março, Salão Brazil, Coimbra
  • 1 de Abril, Stairway Club, Cascais
  • 15 de Abril, Pouca Terra, Barreiro
  • 16 de Abril, Play-Doc, Galiza
  • 23 de Abril, Fnac Braga
  • 23 de Abril, Convento do Carmo, Braga