Porches – ‘Pool’


Quando mergulhamos no disco de Porches – a primeira música chama-se, apropriadamente, “Underwater” e até vamos ter uma “Pool” lá mais para a frente – apercebemo-nos de que vamos entrar numa atmosfera sónica de grande frescura. É, literalmente, um mergulho. Um mergulho em sintetizadores cheios de onda, na humidade do reverb e dos efeitos caseiros e onde não deixamos de ouvir uma voz que insiste em não se afogar.

Uma certa elegância, tão procurada nos circuitos mais indie do rock, é aqui apresentada através de uma dispersão quase etérea, ora com arpegios minimalistas que se repetem, ora através da voz espectral com que o vocalista Aaron Maine nos presenteia. Quase como se ouvíssemos de dentro da piscina onde se escondem para gravar.

“Braid” tem vários momentos assim. Uma faixa em que as teclas são luminosas de tão refinadas e acertadas, refletindo e ficando a cintilar enquanto a ouvimos e bem depois da música acabar. É um mar alto e agitado. Para compensar o tema “Mood” parece um dia calmo no mediterrâneo, com versos orelhudos e agradáveis, com sintetizadores que compõe a paisagem. O tema “Car” destaca-se no todo como um épico naufrágio.

Não deixa de ser estranho que um álbum tão nariz empinado como este, o que também acontecia de certa forma com o fenómeno Rhye, tenha tanta facilidade em fazer-nos dançar. Os temas têm sempre cadências repletas de flow e mesmo quando não nos fazem abanar o pézinho, fazem-nos estalar os dedos. Os Porches nunca esconderam que tinham intenções de fazer um disco mais dançável e pelos vistos levaram as suas intenções a cabo. Até nos temas mais melancólicos.

Uma viagem veranil, por muito emocional que possa ser, mas que nunca deixa de nos mostrar uma idílica paisagem de piscina onde podemos mergulhar e submergir, vezes sem conta, de um disco muito refrescante.