Souto de Moura projecta auditório para a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa


A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) pretende iniciar ainda este ano a construção de um auditório projectado pelo arquitecto Souto de Moura e que aquela instituição considera ser de grande valorização patrimonial para a cidade. O auditório vai situar-se nas traseiras das instalações da SCML, no Largo Trindade Coelho, e terá uma ampla janela com vista para Lisboa.

O projecto, aprovado na semana passada pela Câmara Municipal de Lisboa, insere-se na revitalização de toda a área traseira do Complexo de São Roque, onde funcionam os serviços centrais da SCML, e inclui também a reabilitação da antiga lavandaria. Este foi a primeira lavandaria industrial em Portugal e tinha como função centralizar a limpeza das roupas de todos os equipamentos da Misericórdia da capital. A lavandaria vai ser agora adaptada para instalação de um ginásio, sala multiusos e cafetaria; já o auditório será um novo edifício e terá capacidade para 200 pessoas.

A directora do património da Santa Casa disse, à agência Lusa, que prevê “que esta obra seja ainda iniciada durante o ano de 2016”, estando neste momento a trabalhar nos projectos de especialidade e de execução. Para Helena Lucas, este projecto é “de grande importância, dada a sua elevada qualidade arquitectónica que se enquadra adequadamente no local e na sua envolvente, contribuindo significativamente para a valorização patrimonial da SCML e, consequentemente, para toda a cidade”.

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A revitalização da área do Complexo de São Roque, composta pelo Palácio Condes de Tomar, pelo Palácio de São Roque, pelo Museu e Igreja de São Roque, bem como pelo edifício onde está instalada a sede da Santa Casa, é um dos grandes objectivos da divisão patrimonial da SCML.

Este será o seu primeiro grande projecto de Eduardo Souto Moura em Lisboa. Galardoado com o Prémio Pessoa (1998), o Prémio Pritzker (2011), o Prémio Secil (1992, 2004 e 2011) e o Premio Wolf de Artes (2013), entre outros, Souto Moura tem desenvolvido a sua obra pública sobretudo a norte. Destaca-se  o Mercado Municipal e o Estádio Municipal de Braga, a Casa das Artes, a Casa do Cinema de Manoel de Oliveira e o Edifício Burgo, no Porto. Em Lisboa, trabalhou no projecto do Pavilhão de Portugal, desenvolvido por Álvaro Siza Vieira para a Expo 98.

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Para o projecto do auditório, Souto Moura inspirou-se nas antigas máquinas fotográficas, criando um espaço no qual se torne possível captar uma imagem única de Lisboa, como que enquadrada numa moldura, da Colina de São Vicente ao Castelo de São Jorge.

Quanto aos custos do projecto, Helena Lucas adiantou que “ainda é prematuro falar sobre o valor exacto do investimento” e que essa informação será dada “no momento do lançamento do concurso público para a empreitada”. De acordo com uma nota publicada no site da SCML, este será o “primeiro grande projecto” de Souto de Moura em Lisboa.