‘Trumbo’


Com uma nomeação para o Óscar de Melhor Actor, Trumbo passou um pouco despercebido na chamada “época alta” pré-cerimónia dos Óscares. Nada mais injusto. Com excelentes interpretações por parte de um cast maduro e experiente, o filme conta-nos a história de Dalton Trumbo, um dos maiores guionistas da história do Cinema, vencedor de dois Óscares e que escreveu, entre outros, filmes como Spartacus, Papillon ou Roman Holiday. Trumbo foi além disto um herói e uma personalidade importantíssima durante uma conturbada altura de Hollywood.

O filme de Jay Roach destaca-se sobretudo pela importante história que nos conta através de interpretações soberbas como a de Diane Lane, Helen Mirren, John Goodman ou Louis C.K. Mas não só, Trumbo tem o condão de consagrar em cinema um actor que nas últimas décadas se destacou maioritariamente em séries de televisão. Primeiro em Malcolm in the Middle, como Hal, e depois com aquele que é provavelmente a interpretação da sua carreira como Walter White numa das melhores séries televisivas jamais feitas, Breaking Bad, Bryan Cranston teve agora um papel à sua altura também no grande ecrã, o de Dalton Trumbo.

De vez em quando o Cinema, mas sobretudo todos nós, temos necessidade que estas pequenas grandes histórias nos recordem o quão essenciais são bens como a liberdade de pensamento e a liberdade de expressão. Temos tendência tomá-los como garantidos. Tal não seria possível sem que ao longo da História indivíduos especiais não tivessem lutado por isso. É isso que Trumbo nos transmite.

Trumbo tem sobretudo o condão de reavivar a memória dos mais esquecidos. Conta o que foi uma verdadeira “caça às bruxas” levada a cabo entre as décadas de 30 a 50 pelas várias indústrias do entretenimento contra seus trabalhadores, e em último plano pelo sistema judicial sob alçada do governo americano. Uma perseguição injusta e absurda e que resultaria numa “blacklist” de Hollywood, composta por guionistas (os chamados The Hollywood Ten), produtores, actores e realizadores proibidos de trabalhar pelas suas crenças políticas comunistas.

Um filme que, apesar de falhar em aspectos técnicos e em alguns saltos temporais que gostaríamos de acompanhar devido à fragilidade e interesse do tema em questão, se torna ainda assim de visionamento obrigatório. Quer pelo seu ritmo dinâmico e agradável quer pela sua considerável capacidade de criar uma empatia devido à história de um verdadeiro herói, Dalton Trumbo, durante um período importantíssimo na indústria de Hollywood. Trumbo resulta no final numa agradável surpresa, mesmo dentro dos variados filmes do género.