Viajar entre Lisboa e Porto: comboio e autocarro poluem menos que avião


A Zero, uma nova associação ambientalista que surgiu no início do ano, aconselha os passageiros que pretendem viajar entre Lisboa e Porto a optarem pelo autocarro ou comboio, ou preencherem todos os lugares do automóvel, para ajudar no combate às alterações climáticas.

No trajecto Lisboa–Porto, “se o seu objectivo for ajudar a combater as alterações climáticas, esqueça o avião, vá muito acompanhado no carro (se não for eléctrico), ou opte preferencialmente pelo autocarro ou comboio”, salienta a Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável, assim designada por extenso.

A Zero, que actua em defesa do ambiente e do desenvolvimento sustentável, é presidida por Francisco Ferreira, que já liderou a Quercus, e conta também com a socióloga Luísa Schmidt, o biólogo Jorge Paiva, a professora universitária Júlia Seixas e o actual reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, uma das caras da Quercus no combate nos anos 1990 contra a co-incineração em Souselas.

As contas das emissões de dióxido de carbono dos meios de transporte realizadas pela Zero revelam que “o avião polui cinco a nove vezes mais por passageiro do que comboio ou autocarro” na ligação entre aquelas duas cidades. Diz a associação que a forma mais poluente de transporte é o automóvel a gasóleo, só com um passageiro, ao emitir 50,2 kg de CO2 por pessoa, numa distância de 314 quilómetros, seguindo-se o avião Boeing 737-800 da Ryanair, que faz a ligação entre o Porto e Lisboa, com 36,1 kg de CO2, e depois a alternativa da TAP Express, garantida por aviões a turbopropulsor e de menores dimensões (27,5 kg).

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No outro extremo, nas alternativas com menos emissões, está o automóvel eléctrico, com entre 3,1 e 1,2 kg de CO2o, consoante leve 2 ou 5 pessoas, e o comboio Intercidades, com 3,8 kg, já que o Alfa Pendular apresenta um pouco mais, com 5,5 kg de CO2 por passageiro.

A partilha do automóvel a gasóleo “será sempre favorável mas, mesmo assim, com um veículo de cinco lugares cheio, as emissões são aproximadamente o dobro das do comboio ou do autocarro”, realça a Zero. Os valores divulgados apontam para que um carro com 5 passageiros resulte em 10,0 kg de CO2 por pessoa.

Os dados mais recentes referem que o sector dos transportes foi o que apresentou o maior aumento de emissões entre 1990 e 2013, com quase 40%, ao contrário dos processos industriais ou da produção de electricidade, que reduziram este tipo de poluição.

Texto de: Lusa/Shifter
Foto de: Flickr