Wingdings. Porquê um tipo de letra constituído apenas por símbolos?

Mais do que uma fonte peculiar, a Wingdings continua a ser "um fenónemo".

Se usas ou usaste o Windows, gostas de navegar pelo Word e já tens e-mail desde 2001, certamente conheces a Wingdings (quem não se lembra das mensagens correntes com uma suposta teoria da conspiração que relacionava a fonte com o 11 de Setembro?). Este tipo de letra com tanto de engraçado como de intrigante não existe por acaso. Contendo apenas símbolos, a Wingdings foi criada por Charles Bigelow e Kris Holmes (os mesmos designers da fonte Lucida) e marcou uma geração, tornando-se “parte da cultura popular”. A inspiração surgiu de imagens de fontes históricas e modernas semelhantes”, “manuscritos medievais” e “gestos romanos”.

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Mas, afinal, qual o seu propósito? Foi pensada para ser uma ferramenta para a era da pré-internet. Hoje pode parecer simples, mas há uns (bons) anos atrás, copiar ou gravar imagens em hard drives (como cds e disquetes) ocupava imenso espaço e a qualidade era reduzida. Para além disso, era difícil que texto e imagem se complementassem num único ficheiro.

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Assim, fontes tipográficas como a Wingdings resultaram numa “alternativa para as pessoas” ao contribuir com “imagens de qualidade e redimensionáveis que não ocupavam espaço nas ferramentas de armazenamento”.  Os utilizadores podiam adicionar o ícone pretendido ao texto para “ornamentar, animar ou enfeitar os documentos sem se preocuparem com o tamanho do arquivo ou com a má qualidade”. 

O grande boom aconteceu depois da Microsoft comprar os direitos da fonte e de a denominar Wingdings (uma combinação de Windows e “dingbay”, uma peça que constituía as impressoras do séc. XVII). Em 1990, foi incluída num teste beta do Windows e, tal como Bigelow referiu, nasceu, deste modo, “um grande fenómeno cultural”. 

Mas o propósito da fonte não foi percepcionado por todos os utilizadores da mesma forma e, tal como ainda acontece, era mais conhecida por ser uma forma “incomum” de escrever palavras do que pela sua utilidade.  Aliás, Charles Bigelow diz mesmo que surgiram várias teorias de conspiração que defendiam que o tipo de letra continha mensagens ocultas. Além da já referida suposta “ligação” ao 11 de Setembro, havia quem acreditasse que a fonte envolvia mensagens anti-semitas contra Nova Iorque (quando escreves “NYC”, o resultado é um crânio, uma estrela de David e um polegar para cima). Para o fundador, estas críticas apenas mostravam “o sucesso” da Wingdings.

 

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De facto, hoje são poucos os que não conhecem a Wingdings, um dos últimos nomes na lista de tipos de letras do Microsoft Word. Mas qual será o seu futuro? Continuará a ser entendida como uma fonte estranha e invulgar? Será totalmente esquecida graças aos inúmeros emojis que a Internet disponibiliza?

Porque é que alguém há de querer representar um S como uma gota de água, ou uma vírgula como uma caixa de correio? Para escrever mensagens misteriosas em tatuagens? Para enviar cartas encriptadas a amantes ou inimigos?

Certo é que todas estas perguntas comprovam o fenómeno que é a Wingdings e que nos leva a partilhar convosco este vídeo da Vox: